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A Casa de Todas as Casas. Love Story: biografia não autorizada da boate que marcou a noite paulistana!

Aos detalhes....

Por Michel Telles
Às

A Casa de Todas as Casas. Love Story: biografia não autorizada da boate que marcou a noite paulistana!

Foto: Divulgação

Durante mais de duas décadas, a Love Story foi muito mais do que uma boate. Foi palco de encontros improváveis, refúgio de desejos, território de liberdade e um espelho fiel da São Paulo que vivia intensamente a noite. Agora, essa história ganha registro definitivo no livro A Casa de Todas as Casas. Love Story, uma biografia não autorizada que revela, sem filtros, os bastidores de um dos endereços mais emblemáticos da vida noturna brasileira.                                                  Escrita pelos jornalistas Katia Simões e Roberto Prioste, a obra nasceu a partir do convite do empresário Luiz Paulo Fogguetti, bastante conhecido na cena paulistana e com lembranças marcantes do centro da cidade, idealizando o livro como homenagem afetiva à São Paulo, que provocou os autores a mergulharem na história da Love Story sem censura, sem controle narrativo e sem a intenção de construir uma versão oficial. O resultado é um livro-reportagem que cruza jornalismo, memória, comportamento e cultura urbana.

Dividido entre a Boca do Lixo e a Boca do Luxo, o livro reconstrói a trajetória da Love Story desde sua origem até se consolidar como um verdadeiro patrimônio emocional da cidade de São Paulo. A narrativa é construída a partir de mais de 25 horas de depoimentos, reunindo vozes de artistas, empresários, jornalistas, personagens da noite, frequentadores anônimos e figuras públicas que viveram, cada um à sua maneira, o fenômeno Love Story.

Ao longo do livro, a Love Story aparece como um espaço onde fama, anonimato, desejo e liberdade coexistiam sem hierarquia. Essa pluralidade se revela nos depoimentos de personagens que marcaram diferentes gerações da cultura brasileira.

A atriz Luana Piovani relembra a casa como um raro refúgio musical e comportamental em meio à padronização da noite paulistana:

“O Love era diferente porque tocava todo tipo de música. Era três degraus acima da loucura de qualquer trilha sonora de festa. Ali dava para se divertir de verdade.”

A chef Janaína Torres, hoje uma das principais referências da gastronomia brasileira, descreve a Love Story como um espaço de acolhimento e igualdade:

“Eu ia à Love para espairecer, dançar. Muitas vezes chegava direto do trabalho, com roupa de cozinheira, toda engordurada. E o tratamento era exatamente o mesmo.”

Figura constante da noite paulistana, a empresária Aritana Maroni associa a Love Story à potência sensorial e à mistura real de tribos:

“Ali você entrava e via pessoas famosas escondidas, travestis, gente da noite, todo mundo junto. Era miscigenação de verdade.”

O livro também registra passagens discretas, e quase cinematográficas, de figuras internacionais. O ator Chadwick Boseman, protagonista de Pantera Negra, passou uma noite inteira na Love Story sem ser reconhecido, protegido pelo pacto informal de discrição que a casa mantinha com seus frequentadores. Até a realeza cruzou aquele território. O escritor Ari Behn, então marido da princesa Märtha Louise, da Dinamarca, chegou a gravar cenas de um programa europeu dentro da boate.

A relação da Love Story com a fama e a imprensa aparece ainda nos bastidores. Para preservar a privacidade dos clientes, seguranças revistavam frequentadores e controlavam rigorosamente o uso de câmeras. Alguns artistas evitavam entrar para não virar pauta de colunas sociais. O cantor Thiaguinho, por exemplo, é citado no livro como alguém que preferia ir embora ao perceber o risco de exposição midiática.

Mais do que nostalgia, A Casa de Todas as Casas. Love Story é o retrato de uma época em que a noite era espaço de convivência, contradição, liberdade e invenção social. Um livro que não romantiza nem moraliza, mas documenta. Que não pede licença para existir, assim como a própria Love Story nunca pediu.

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