Aberje: pesquisa aponta que 72% das mulheres sofreram assédio no trabalho
Estudo afirma que a maior questão enfrentada pelas mulheres é o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
De acordo com a pesquisa "A Mulher na Comunicação - sua força, seus desafios", realizada pela a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), a maior questão enfrentada pela mulher no ambiente de trabalho, nos dias atuais, é o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.
Segundo levantamento, há a desigualdade de remuneração em relação aos homens, de 34%, e a falta de oportunidades de promoção, de 22%.
Um dos maiores problemas enfrentados pela mulher no local de trabalho é o assédio. 72% das participantes, ou três em cada quatro, já enfrentaram assédio no local de trabalho, da mesma forma que 77% já presenciaram atos de assédio contra outras mulheres no local de trabalho.
50% das mulheres entrevistadas afirmaram que o que mais impede que mulheres cheguem ao topo da carreira está associado à subestimação de suas capacidades, que faz com que não seja considerada para uma função/oportunidade. Em segundo lugar, com 47%, o impeditivo de crescimento acontece quando elas expressam suas opiniões e são julgadas por isso.
“Embora as mulheres estejam majoritariamente presentes no mercado de Comunicação Corporativa – e observamos isso pela nossa rede de associadas, a pesquisa mostra que ainda há desafios e barreiras na questão da equidade de gênero dentro das organizações, que são reflexo da própria sociedade", diz Hamilton dos Santos, diretor-executivo da Aberje.
A pesquisa reflete isso na redução das responsabilidade em decorrência da maternidade, que foi de 35%, nos rótulos excessivamente assertivos ou agressivos, com 33% e a "Síndrome da Impostora", que é quando a mulher se sente incapaz de fazer algo, marcou 25% das entrevistadas.
Os principais problemas enfrentados pelas 554 mulheres entrevistadas que atuam na área de comunicação em diversas organizações e regiões do país, são: a falta de treinamento para as mulheres (38%), o baixo nível de promoção das mulheres (37%), a falta de sororidade entre as mulheres (36%), a desigualdade de tratamento entre os gêneros (28%), os menores salários pagos às mulheres (24%) e o assédio por parte dos colegas de trabalho (17%).
81% das participantes acredita que ter uma política implantada contribui para a equidade de gêneros na organização. No entanto, apenas 299% delas conhecem as políticas relacionadas ao tema realizadas nas suas empresas.
Além disso, é maior o número de homens em cargos de liderança na maioria (61%) das organizações atuais das participantes. Porém, em 32% das organizações, o número de mulheres em cargos de liderança já é maior ou igual ao número de homens. Embora 18% das entrevistadas dizem não se incomodar com a comparação, 41% se sentem desconfortáveis ou muito desconfortáveis com esse desequilíbrio entre homens e mulheres em cargos de liderança.
Para as entrevistadas, as competências/habilidades mais importantes a serem abordadas em programas de desenvolvimento de liderança feminina são, nesta ordem: planejamento de carreira (57%) e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal (46%), construção de imagem – personal branding (38%), confiança (38%), postura executiva (37%) e comunicação (37%).
As principais mudanças e/ou estratégias a serem implementadas pelas organizações e que mais contribuirão para o alcance da equidade de gênero são: mudanças na cultura organizacional (51%), estratégias afirmativas de igualdade de oportunidade entre os gêneros (49%), mudanças nas políticas e práticas de recrutamento e seleção (43%) e ampliação do número de mulheres em papéis de tomada de decisão (40%).
As medidas que as participantes acreditam ser mais efetivas no combate ao assédio sexual no local de trabalho são: punições mais enérgicas para o assediador (55%), implementação de mecanismos eficazes de acolhimento às reclamações (40%), trabalhar mais fortemente na sensibilização dos homens (36%) e ampliar a participação feminina nas instâncias de poder da organização (34%). A criação, pelo poder público, de leis mais rígidas de combate ao assédio sexual (21%) e até a sensibilização das mulheres (8%) também foram citadas como importantes para esse combate ser mais efetivo.
Com relação ao perfil pessoal, a maioria das participantes da pesquisa (76%) são autodeclaradas brancas, número praticamente mantido em relação à pesquisa realizada em 2017. Em relação à idade, 14% preferiram não responder. Das que responderam, a maioria, 43%, são integrantes da geração Y/millennials (idade entre 26 e 41 anos). A geração X, com idade entre 42 e 57 anos, está composta por 33% dos participantes. Quanto à identidade de gênero, a maioria absoluta (98%) se declarou como cisgênero, ou seja, identificadas com seu gênero de nascimento - outras respostas à questão foram não-binário, transgênero ou não quiseram responder.
Os processos mais abrangidos pelos cargos atuais das participantes são a comunicação interna (71%) e a comunicação externa (70%). Outros processos são: mídias digitais e sociais (61%); relações com a imprensa (60%), eventos (59%) e gestão de crises e riscos (51%). Entre os processos menos abrangidos temos relações governamentais (13%) e memória empresarial (16%).