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"Abraçar com cuidado": comunicador autista conta a importância do acolhimento para inclusão real

Pedro Mendonça, de 30 anos, fala sobre o diagnóstico e quais caminhos seguir para quebrar as barreiras sociais

Por Da Redação
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"Abraçar com cuidado": comunicador autista conta a importância do acolhimento para inclusão real

Foto: Maiane Ferreira/ Farol da Bahia

O dia 2 de abril é marcado pelo Dia Mundial de Conscientização do Autismo. A data faz parte de uma campanha global da Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo é aumentar a visibilidade da causa, fazendo com que pessoas com TEA (transtorno do espectro autista) sejam incluídas na sociedade com todos os direitos garantidos.

Pedro Mendonça, jornalista de 30 anos, relata que a data é importante para conscientizar as pessoas. Diagnosticado aos 11 anos, Pedro conta que, durante o processo da descoberta, a família precisou se envolver com o tema para lidar da melhor forma possível.

"Minha família não tinha muita ligação com o tema, mas, ao saber que era autismo, procurou saber como lidar com a situação", relata o jornalista.

Em 2022, o IBGE afirmou que 2,4 milhões de pessoas no Brasil são autistas, o que representa 1,2% da população brasileira. Esses números correspondem às pessoas que já possuem diagnóstico declarado. Os dados funcionam como ferramenta para desenvolvimento de políticas que ampliam a garantia de direitos, sobretudo no acesso à educação.

Pedro, hoje repórter e apresentador do podcast Espectro no Farol, disse que, antes de escolher o caminho da comunicação, tentou biomedicina e educação física. Mas que não se identificou tanto com as áreas escolhidas. A decisão de ser comunicador veio após ser chamado para participar de uma reportagem sobre autismo em um jornal.

"Isso me motivou. Depois da reportagem sobre autismo em que participei, me motivou a fazer jornalismo, a entrar na comunicação para fazer pautas parecidas também", conta Pedro.

Dentro do ambiente acadêmico, Pedro relatou enfrentar alguns desafios de convivência com algumas pessoas, mas foi o acolhimento dos colegas e professores que fez com que ele se sentisse incluído.

"Os colegas foram até acolhedores; alguns nem tanto, mas a maioria conseguiu me acolher bem. Eu contei dos meus transtornos, das minhas coisas, do meu autismo. Os professores também me acolheram bem e conseguiram se adequar bem comigo", conta.

De acordo com o Censo Escolar da Educação 2024, as pessoas autistas sofrem com uma "barreira comunicacional" devido a dificuldades na comunicação verbal e não verbal, além dos obstáculos nas interações sociais.

Para Pedro, essas barreiras são superadas na medida em que as pessoas "abraçam com cuidado", são pacientes e acolhedoras com as pessoas com TEA. "Muitos autistas sofrem preconceito porque não se comunicam, não interagem com outras pessoas e geralmente sofrem exclusão nas escolas de trabalho. E a questão é que vocês têm que ser acolhedores, têm que abraçar com cuidado", diz Pedro.

"Tem que aceitar o autista do jeito que ele é, como ele se comporta, não como os comunicadores querem que ele se comporte".

 

 

 

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