Bolsonaro fala em 'teatro processual' para tirá-lo de 2026 após maioria no STF para torná-lo réu
O ex-presidente disse que a comunidade internacional acompanha o julgamento

Foto: Antonio Augusto/STF
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta quarta-feira (26) que a Justiça quer tirá-lo da disputa eleitoral em 2026 e disse ver um "teatro processual", após a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) formar maioria para torná-lo réu.
"O tribunal tenta evitar que eu seja julgado em 2026, pois querem impedir que eu chegue livre às eleições porque sabem que, numa disputa justa, não há candidato capaz de me vencer", afirmou.
"A julgar pelo que lemos na imprensa, estamos diante de um julgamento com data, alvo e resultado definidos de antemão. Algo que seria um teatro processual disfarçado de Justiça não um processo penal, mas um projeto de poder que tem por objetivo interferir na dinâmica política e eleitoral do país", completou.
A fala foi feita no X, antigo Twitter, enquanto Bolsonaro acompanha o término do segundo e provavelmente último dia de julgamento da admissibilidade do caso no gabinete do filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Senado.
Durante o dia, aliados visitaram-no no local. A senadora e ex-ministra Damares Alves (Republicanos-DF) fez uma oração no local com o ex-presidente. Ele falará com a imprensa ao final do julgamento.
Na publicação, Bolsonaro republicou imagem de reportagem da Folha, que mostrou que a ação da trama golpista tem rito 14 vezes mais rápido que a do mensalão.
O ex-presidente disse que a comunidade internacional acompanha o julgamento, sem mencionar diretamente Donald Trump, presidente dos Estados Unidos considerado seu aliado. "Juristas, diplomatas e lideranças políticas já reconhecem o padrão: é o mesmo roteiro que se viu na Nicarágua e na Venezuela", disse.
Na véspera, o ex-presidente manteve sigilo até uma hora antes de iniciar o julgamento sobre onde acompanharia a sessão, para logo aparecer na corte e se sentar na primeira fileira.
O gesto simbolicamente repete o do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ano passado, quando se sentou à mesa da defesa em julgamento em Nova York. Em casos penais, a presença do acusado é obrigatória nos EUA. No Brasil, não.
Na ocasião, Trump foi condenado por fraude, sob acusação de ter comprado o silêncio de uma atriz pornô com quem teria tido um relacionamento. Assim como Bolsonaro, o republicano dizia ser alvo de perseguição política. Apesar da condenação, meses depois, foi eleito ao cargo.
O STF acatou as acusações contra Bolsonaro, Alexandre Ramagem, ex-chefe da Abin e deputado federal, Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, Augusto Heleno, ex-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência da República, Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa e Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa.
Eles se tornaram réus por tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito e de golpe de Estado, além de dano qualificado pela violência e grave ameaça contra patrimônio da União, deterioração de patrimônio tombado e participação em uma organização criminosa. Agora, podem pegar penas que chegam a 43 anos de prisão.
Veja declaração na íntegra:
- Estão com pressa. Muita pressa. O processo contra mim avança a uma velocidade 14 vezes maior que o do Mensalão e pelo menos 10 vezes mais rápida que o de Lula na Lava Jato.
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) March 26, 2025
- E o motivo? Nem tentam mais esconder. A própria imprensa noticia, abertamente e sem rodeios, que a… pic.twitter.com/JadGJP6FBR