Brasil tem 336 condenados ou suspeitos de feminicídio procurados pela Justiça, mostra levantamento
Pesquisa exclusva de portal revela que mandados de prisão seguem abertos

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Um levantamento exclusivo do g1 mostra que 336 homens condenados ou suspeitos de feminicídio são procurados pela Justiça brasileira. Eles têm mandados de prisão em aberto, emitidos pelo Judiciário, mas continuam em liberdade em diferentes regiões do país.
A maior parte das ordens judiciais é de prisão preventiva, aplicada quando o suspeito já foi identificado e deve ser preso durante o andamento do processo. Em 19 casos, no entanto, os réus já foram condenados definitivamente, sem possibilidade de recurso situação conhecida como trânsito em julgado, o que exige o cumprimento imediato da pena.
Os dados têm como base o Banco Nacional de Medidas Penais e Mandados de Prisão (BNMP), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e abrangem crimes cometidos ao longo de mais de duas décadas, entre o fim dos anos 1990 e 2023. O levantamento inclui casos de feminicídio consumado e tentativas de feminicídio.
Os estados com maior número de suspeitos ou condenados foragidos são:
- São Paulo: 108
- Bahia: 32
- Maranhão: 28
- Pará: 27
Em grande parte dos casos, segundo especialistas ouvidos pelo g1, a autoria do crime já é conhecida, o que indica eficiência investigativa, mas evidencia falhas estruturais no cumprimento das prisões.
Recorde de feminicídios
O cenário se insere em um contexto de agravamento da violência contra mulheres. Em 2025, o Brasil registrou 1.530 feminicídios, o maior número da série histórica, uma média de quatro mulheres assassinadas por dia.
Entre os casos emblemáticos estão o de Tainara Souza Santos, morta após ser atropelada e arrastada pelo ex-namorado em São Paulo; Maria de Lourdes Freire Matos, cabo do Exército assassinada dentro de um quartel em Brasília; e Isabele Gomes de Macedo, morta junto com os filhos em um incêndio criminoso.


