Careca do INSS usou empresa em nome de idosa morta para movimentar milhões
Investigação aponta uso de firmas de fachada para dificultar rastreamento de recursos

Foto: Agência Brasil/Lula Marques
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apontou que o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, usou empresas de fachada, incluindo uma registrada em nome de uma idosa de 90 anos já falecida, para movimentar milhões de reais e dificultar o rastreamento do dinheiro.
As investigações indicam que os valores eram distribuídos entre diferentes CNPJs, em um esquema de “lavanderia financeira” para ocultar a origem dos recursos.
Uma das empresas utilizadas foi a Arpar Participação e Empreendimentos, que movimentou R$ 445,2 milhões entre setembro de 2023 e janeiro de 2025.
Parte desse dinheiro foi repassada para a Wave Intermediação, empresa registrada em nome de um motoboy e sediada em uma quitinete em São Paulo, mas que movimentou R$ 4,85 bilhões no período.
A empresa já havia sido citada em investigações sobre o desvio de recursos do patrocínio da Vai de Bet ao Corinthians, atuando como “conta de passagem”.
Outra empresa apontada no esquema é a Premier Indústria e Comércio LTDA, registrada em nome de Diva Ribeiro Calil, que morreu aos 90 anos.
Mesmo após a morte da suposta proprietária, a empresa continuou movimentando dinheiro e somou R$ 297,1 milhões em transações entre 2023 e 2025.
Segundo a investigação, o uso de empresas em nome de terceiros e com estrutura incompatível com os valores movimentados indica tentativa de ocultação de recursos.
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