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CEO de gigante de shoppings diz que fim da escala 6x1 será ruim para o Brasil: 'Pessoas vão receber menos'

Proposta tem ganhado apoio popular, mas encontra resistência no empresariado

Por FolhaPress
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CEO de gigante de shoppings diz que fim da escala 6x1 será ruim para o Brasil: 'Pessoas vão receber menos'

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

FELIPE MENDES - Defendida pelo governo Lula (PT), a proposta pelo fim da escala 6x1 em discussão no Congresso tem ganhado apoio popular, mas encontra resistência no empresariado.

Em entrevista à Folha, o CEO da Multiplan, Eduardo Peres, disse que a medida para reduzir da jornada de trabalho no Brasil vai encarecer o custo para o empregador e poderá resultar em queda na média salarial. A PEC (proposta de emenda à Constituição) prevê que a jornada seja reduzida das atuais 44 horas semanais para 36 horas.

"É muito ruim para o varejo nacional. Aliás, é muito ruim para o país como um todo. Eu não conheço nenhum país que evoluiu trabalhando menos", disse o executivo, que é filho de José Isaac Peres, fundador da Multiplan, gigante dos shopping centers.

"Vai ter mais gente trabalhando e fazendo menos coisas. E essas pessoas, sem dúvida, vão receber menos", disse Peres. "Acho que se você flexibilizar e deixar as pessoas escolherem o quanto querem trabalhar, é muito melhor para todo mundo."

Para o executivo, a implementação das novas regras não será traduzida em mais investimentos voltados à automação dos processos no varejo físico. Segundo ele, o contato humano é imprescindível para o comércio.

A Multiplan inaugurou na quarta-feira (18) a sexta expansão do MorumbiShopping, na zona sul de São Paulo. Com investimento de mais de R$ 400 milhões, o projeto amplia a área bruta locável (ABL) do shopping em 13.141 metros quadrados, com a incorporação de 40 lojas distribuídas por dois pavimentos, além de um terceiro piso voltado a restaurantes de alta gastronomia.

Segundo o executivo, fundos de pensão como Funcef e Previ participaram do investimento. A companhia também planeja novas expansões em 2026, incluindo projetos no BarraShopping (Rio de Janeiro), BH Shopping (Belo Horizonte) e ParkShopping (Distrito Federal).

O movimento acompanha uma tendência do setor de priorizar a ampliação de ativos já existentes, com maior foco em serviços e alimentação.

"Hoje, 50% do nosso mix é para compra e venda de produtos. Os outros 50% são voltados a restaurantes e serviços. Eu acho que agora está num ponto equilibrado", diz Peres.

Com 20 shoppings hoje, a companhia conseguiu conquistar espaço nos últimos anos. Em 2019, a Multiplan detinha 8,5% das vendas totais do setor, segundo a Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers). Viu esse número subir para 12,9% em 2025, ano em que as vendas totais dos lojistas do grupo atingiram R$ 25,9 bilhões, maior patamar da história da companhia.

"Depois da pandemia, a gente aprendeu a funcionar de maneira mais eficiente", diz Eduardo Peres, CEO da Multiplan. "Mais de 100 milhões de carros visitam a nossa rede por ano."

A empresa diz estar atenta aos movimentos do mercado, mas que uma eventual aquisição de shopping é improvável neste momento.

Para 2026, o executivo projeta um ano de bom potencial para o consumo e torce para a queda da taxa de juros.

"Historicamente, eleição é um ano em que se gasta mais, é um ano com mais dinheiro em circulação, portanto mais consumo", disse. "Aliado a isso, acho que provavelmente a gente vai ter uma queda da taxa de juros, e que isso vai melhorar a condição para o varejo como um todo."

Nesta semana, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central realizou um corte de 0,25 ponto na taxa de juros. Agora, a Selic está em 14,75% ao ano.

RAIO-X MULTIPLAN
Shoppings: 20 unidades, entre eles BH Shopping, Barra Shopping, Morumbi Shopping, Shopping Anália Franco, Shopping Vila Olímpia e Village Mall
Lucro líquido (2025): R$ 1,1 bilhão
Principais concorrentes: Iguatemi e Allos

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