Cerca de 85% dos assassinatos de jornalistas ficam impunes, aponta Unesco
Guerras provocaram aumento no número de crimes contra profissionais da imprensa
Foto: Reprodução/Getty Images
Cerca de 85% dos assassinatos de jornalistas ficam impunes. O número foi divulgado no sábado (2), em relatório publicado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
De acordo com o documento, nos anos de 2022 e 2023, houve uma queda de quatro pontos percentuais no número de assassinatos de jornalistas sem soluções na comparação com 2018, e de 10 pontos na comparação com 2012.
O levantamento tem o objetivo de fortalecer o Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas. Nos últimos dois anos (2022 e 2023), a Unesco registrou 162 assassinatos de jornalistas e trabalhadores da imprensa, aumento de 38% comparado a 2020 e 2021.
A agência destaca o impacto das mortes em zonas de conflito que, com 44 mortes em 2023, atingiu o número mais alto desde 2018. Já nos países que não vivem conflito armado, houve um pico significativo em 2022, com 60 assassinatos, o número mais alto já registrado pela UNESCO, que no ano seguinte contrastou com o total anual (30) mais baixo desde 2008.
Em 2022, o México foi palco do maior número de assassinatos de jornalistas, com 19 casos, seguido da Ucrânia (11) e Haiti (nove), enquanto no ano passado a Palestina registrou 24 mortes de jornalistas, à frente do México (sete) e Guatemala (cinco).
No biênio em análise, nos países lusófonos - que falam a língua portuguesa como língua oficial - foram registradas quatro mortes: três no Brasil e uma em Moçambique.
No comunicado que acompanha o relatório, a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, pediu aos Estados-membros que garantam que esses crimes nunca passem impunes.
“Em 2022 e 2023, um jornalista foi assassinado a cada quatro dias apenas por fazer o seu trabalho de procurar a verdade. Na grande maioria dos casos, ninguém será responsabilizado. Acusar e sentenciar estes perpetradores é uma alavanca enorme para prevenir futuros ataques aos jornalistas”, afirmou.