China anuncia tarifas retaliatórias de 34% sobre importações dos EUA em escalada da guerra comercial
Ações globais ampliaram suas perdas nesta sexta (4) após uma venda brutal na quinta-feira desencadeada pela blitz tarifária de Donald Trump.

Foto: Reprodução
A China anunciou que imporá tarifas adicionais de 34% sobre importações dos EUA em retaliação às tarifas do mesmo valor reveladas pelo presidente Donald Trump esta semana como parte de sua agressiva agenda comercial.
O Ministério do Comércio disse na sexta-feira que a tarifa será imposta a todos os bens importados originários dos EUA a partir de 10 de abril.
As tarifas sobre exportações chinesas devem subir para mais de 60% depois que o presidente dos EUA anunciou tarifas "recíprocas" de 34 por cento que se somam às tarifas existentes.
Pequim denunciou as novas tarifas dos EUA como "uma típica ação de intimidação unilateral" que "não está em conformidade com as regras do comércio internacional e prejudica seriamente os direitos e interesses legítimos da China".
AÇÕES GLOBAIS AMPLIAM PERDAS NESTA SEXTA
As ações globais ampliaram suas perdas na sexta-feira após uma venda brutal na quinta-feira desencadeada pela blitz tarifária de Donald Trump.
O mau humor cresceu ainda mais depois que a China anunciou tarifas retaliatórias aos EUA.
Os futuros do S&P 500 caíram 2%. Na quinta-feira, o S&P 500 já havia sofrido sua maior queda diária desde 2020.
O Stoxx Europe 600 caiu 4,4 por cento nas negociações do final da manhã em Londres, enquanto o FTSE 100 caiu 2,6 por cento. O Dax da Alemanha recuou 4,8 por cento.
Os investidores continuaram a investir em Títulos do Tesouro dos EUA, reduzindo o rendimento em 0,15 pontos percentuais no dia, para pouco abaixo de 3,9 por cento, o nível mais baixo desde o início de outubro.
Os mercados asiáticos também caíram, com os EUA prontos para estender as quedas à medida que os investidores se moviam para títulos do governo.
O Topix do Japão fechou 3,4% mais baixo, com o índice S&P/ASX 200 da Austrália caindo 2,4% o Kospi da Coreia do Sul caindo 0,9% .
Os preços do petróleo continuaram a cair, com o Brent caindo 3,5%, para $67,67 por barril.
Os rendimentos dos títulos do governo caíram à medida que os investidores procuravam ativos de refúgio, com o Tesouro dos EUA de 10 anos caindo para 3,94%. Os rendimentos dos títulos do governo japonês de 10 anos caíram 0,19 pontos percentuais para 1,16%.
Os investidores estarão atentos aos dados do mercado de trabalho dos EUA. Economistas consultados pela Reuters estimam que 135.000 empregos foram adicionados em março.
O presidente do Federal Reserve, Jay Powell, fará um discurso no final da manhã nos EUA. Os mercados futuros estão precificando quatro cortes de um quarto de ponto nas taxas de juros do Fed até o final deste ano, em comparação com os três que eram esperados antes do anúncio das tarifas na quarta-feira.
O dólar americano subiu 0,5% em relação a uma cesta de moedas, estabilizando-se após a forte queda de quinta-feira.
BRASIL SE ARMA PARA RETALIAÇÃO, MAS DEVE TENTAR NEGOCIAÇÃO
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se arma para uma eventual retaliação comercial contra as tarifas adicionais anunciadas por Donald Trump, mas, antes de seguir pelo caminho mais drástico, pretende insistir em negociações com os Estados Unidos para tentar derrubar barreiras contra o aço e o alumínio brasileiros.
A ideia do governo é atuar em duas frentes. De um lado, enviar sinais públicos de que tem meios para retaliação e está disposto a adotar contramedidas caso seja necessário. De outro, avaliar o real impacto do tarifaço sobre as exportações brasileiras, mapear possíveis oportunidades e insistir nos contatos bilaterais para abrir cotas nas vendas de aço e alumínio.