Com entrada franca, “Maré Cheia” estreia nesta sexta-feira, 20 de março!
Baseado em histórias reais, espetáculo revisita a história de três mulheres negras e idosas que formaram a comunidade de Alagados e a luta por moradia

Foto: Cena de "Maré Cheia" (Fotografia: Manuela Cavadas)
Estreia nesta sexta-feira, 20 de março, às 19 horas, no Centro Cultural SESI Casa Branca, em Salvador, o espetáculo “Maré Cheia: da lata d’água na cabeça à luta pelo chão”. A peça retrata como três mulheres negras e atualmente idosas formaram a comunidade de Alagados e a transformaram numa das mais emblemáticas da capital baiana. As apresentações também acontecem neste sábado e domingo, dias 21 e 22, no mesmo horário, e têm entrada franca.
Protagonizado por Elza Cândida, Josilda Moura e Maria do Amparo, moradoras da Península de Itapagipe, o espetáculo parte de relatos autobiográficos escritos pelas próprias atrizes. Em cena, elas revisitam a luta por moradia e transformam memória, território e resistência em criação cênica.
Com direção da multiartista Alessandra Flores, a obra nasceu no próprio território onde essas trajetórias se enraízam. Mais do que interpretar personagens, as atrizes transformam suas próprias experiências em narrativa cênica, deslocando a memória para o campo da criação artística e afirmando o palco como espaço de autoria e reconhecimento.
Ambientada no contexto da ocupação de Alagados - região que, a partir da década de 1940, viu famílias construírem casas sobre as águas - a montagem recupera um capítulo fundamental da história urbana de Salvador. Décadas depois, os próprios moradores aterraram a maré com lixo e entulho para construir o chão onde hoje vivem. Nos anos 1970, a área chegou a reunir mais de três mil palafitas. Entre pontes improvisadas e marés instáveis, consolidou-se uma rede de organização comunitária que permanece ativa até hoje. Nesse cenário, as mulheres tiveram papel central nas mobilizações sociais, articulando movimentos comunitários, iniciativas culturais e redes de solidariedade.
Segundo a diretora Alessandra Flores, mais do que um espetáculo autobiográfico, “Maré Cheia” questiona quem tem o direito de contar a própria história. “Ao trazer mulheres negras e idosas como criadoras de sua própria dramaturgia, a obra afirma a experiência vivida como fonte legítima de criação artística e transformação”, afirma. O projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia (PNAB), com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado, via Ministério da Cultura – Governo Federal.


