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Crise global leva planeta a cenário de “falência hídrica”, aponta estudo internacional

Escassez severa de água já afeta bilhões de pessoas e ameaça produção de alimentos, estabilidade social e segurança hídrica

Por Da Redação
Às

Atualizado
Crise global leva planeta a cenário de “falência hídrica”, aponta estudo internacional

Foto: Agência Brasil/EBC

O uso intensivo e insustentável da água doce, agravado pelas mudanças climáticas, colocou o planeta em uma nova fase de crise estrutural conhecida como “falência hídrica”. O termo descreve uma condição crônica em que a demanda por água supera, de forma contínua, a capacidade natural de reposição dos sistemas hídricos, tornando a recuperação cada vez mais improvável em diversas regiões do mundo.

Atualmente, cerca de 4 bilhões de pessoas, quase metade da população global, enfrentam escassez severa de água por pelo menos um mês ao ano. Os impactos já são visíveis em diferentes continentes, com reservatórios secos, racionamento, colapsos agrícolas, incêndios florestais mais frequentes, tempestades de poeira e até o afundamento de cidades devido à superexploração de aquíferos.

Segundo estudo conduzido pelo Instituto da Universidade das Nações Unidas para a Água, o Meio Ambiente e a Saúde, o mundo ultrapassou a fase de crises hídricas temporárias. Muitos sistemas de abastecimento não conseguem mais retornar às condições naturais históricas, caracterizando um estado permanente de colapso. A pesquisa aponta que a retirada excessiva de água subterrânea já provocou subsidência do solo em mais de 6 milhões de quilômetros quadrados, afetando áreas urbanas onde vivem cerca de 2 bilhões de pessoas.

A situação é particularmente crítica na agricultura, responsável por aproximadamente 70% do consumo global de água doce. Estima-se que cerca de 3 bilhões de pessoas e mais da metade da produção mundial de alimentos estejam concentradas em regiões com capacidade de armazenamento de água instável ou em declínio. Além disso, mais de 1,7 milhão de quilômetros quadrados de áreas agrícolas irrigadas já enfrentam alto ou muito alto estresse hídrico.

O aumento da frequência, duração e intensidade das secas também intensifica o problema. Entre 2022 e 2023, aproximadamente 1,8 bilhão de pessoas foram expostas a períodos prolongados de estiagem. Especialistas alertam que esse cenário tende a gerar efeitos em cadeia, como elevação dos preços dos alimentos, redução da geração de energia hidrelétrica, riscos à saúde pública, desemprego, migração forçada e aumento de tensões sociais e conflitos.

Diante desse quadro, o estudo reforça a urgência de políticas globais voltadas à gestão sustentável da água, à preservação de aquíferos e ecossistemas naturais e à adaptação dos sistemas produtivos a um contexto de escassez estrutural.

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