Da ascensão à queda: veja a cronologia do escândalo financeiro do Banco Master
Esquema fraudulento gerou rombo estimado em R$ 47 bilhões somente para para o fundo garantidor

Foto: Divulgação/Banco Master
O escândalo do Banco Master se tornou um dos maiores casos de corrupção financeira da história recente do Brasil, com cifras bilionárias e ramificações nos Três Poderes.
O colapso do banco, controlado por Daniel Vorcaro, atualmente preso, gerou um rombo estimado em R$ 47 bilhões para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O valor representa quase um terço do patrimônio do fundo, considerado uma das principais redes de proteção do sistema bancário brasileiro.
Segundo as investigações, a fraude envolvia a criação de créditos fictícios e a manipulação de balanços para ocultar a falta de recursos da instituição.
Com isso, o Banco Master conseguiu, por um período, aparentar lucro e solidez financeira para atrair investidores. A insolvência, no entanto, acabou exposta, levando à liquidação da instituição pelo Banco Central do Brasil.
Cronologia do caso Banco Master
Confira a sequência dos principais episódios que envolvem o caso:
2019: Origem do banco e primeiros indícios
• Daniel Vorcaro assume o controle do antigo Banco Máxima durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A instituição é rebatizada como Banco Master e passa a adotar uma estratégia de crescimento baseada na captação de recursos de pessoas físicas e aquisições.
• O Banco Central, sob a presidência de Roberto Campos Neto, autorizou, em outubro de 2019, a transferência do controle societário do Banco Máxima para Daniel Vorcaro, oficializando a compra e posterior transformação no Banco Master. A operação ocorreu após duas tentativas anteriores frustradas de aquisição da instituição
• Investigações da Polícia Federal (PF) apontam que, já nesse período, o banco teria cooptado servidores do Banco Central, como Paulo Sérgio Neves de Souza, para facilitar aprovações regulatórias
2022: Aproximação política
• Durante as eleições, o grupo de Vorcaro realiza doações vultosas e cede jatinhos para campanhas, estreitando laços com figuras do Legislativo e do Executivo
2024: Operações suspeitas
• O Banco de Brasília (BRB) inicia a compra de carteiras de crédito do Master
• A PF suspeita que os créditos, estimados em cerca de R$ 12 bilhões, eram inexistentes ou fraudulentos e teriam sido usados como um “socorro disfarçado” para ocultar a falta de liquidez da instituição
2025: Crise, investigação e queda do banco
• 28 de março: O BRB anuncia a aquisição de 58% do Banco Master, em operação estimada em cerca de R$ 2 bilhões
• 31 de março: O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, se reúne com o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, para tratar da operação
• 1º de abril: O Ministério Público do Distrito Federal abre inquérito civil para investigar a compra
• 5 de abril: O Banco Central realiza reunião com grandes bancos para discutir soluções para ativos de maior risco do Master. A expectativa envolve o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)
• 7 de abril: O Tribunal de Contas da União (TCU) abre processo para apurar possível omissão do Banco Central
• 11 de abril: Galípolo se reúne com Vorcaro, que também mantém contato com diretores da autoridade monetária
• 28 de abril: O presidente do BC descarta risco sistêmico no setor bancário
• 30 de abril: O Ministério Público ajuíza ação para barrar a compra do Master pelo BRB
Disputas judiciais e regulatórias
• 6 de maio: A Justiça do DF proíbe o BRB de assinar o contrato de compra
• 9 de maio: O BRB derruba a liminar e retoma o caminho para a operação
• 13 de junho: O banco estatal entrega documentos ao BC, iniciando a análise formal da transação
• 17 de junho: O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprova a operação sem restrições
• 19 de julho: Galípolo volta a se reunir com Vorcaro
• 13 de agosto: A Justiça do DF barra a compra até aprovação legislativa
• 19 de agosto: A Câmara Legislativa do DF autoriza a o BRB a comprar o Master
• 3 de setembro: O Banco Central rejeita a compra após meses de análise
Investigação criminal e colapso
• 30 de setembro: A Polícia Federal abre inquérito sobre o banco
• 7 de outubro: Reuniões entre integrantes do BC e da PF tratam do caso
• 17 de novembro: Vorcaro é preso em São Paulo ao tentar embarcar para Dubai. A PF aponta fraude estimada em R$ 12 bilhões.
• 18 de novembro: O Banco Central decreta a liquidação extrajudicial do Banco Master
• 29 de novembro: Vorcaro é solto e passa a usar tornozeleira eletrônica
Pressão política e atuação no STF
• 2 de dezembro: O ministro Dias Toffoli impõe sigilo ao caso
• 3 de dezembro: O ministro assume o controle das diligências da investigação
• 11 de dezembro: Vem à tona contrato milionário do Master com escritório ligado à família do ministro Alexandre de Moraes
• 15 de dezembro: O STF autoriza a retomada de oitivas
• 16 de dezembro: Manifesto com mais de 200 assinaturas cobra regras para atuação de ministros do STF
• 22 de dezembro: Reportagem aponta suposta pressão de Moraes sobre o Banco Central em favor do Master
• 24 de dezembro: Toffoli determina acareação entre envolvidos, decisão posteriormente revista
• 30 de dezembro: Vorcaro e ex-dirigentes do BRB e do BC prestam depoimento à Polícia Federal
2026: desdobramentos e novas investigações
• 2 de janeiro: O TCU inicia análise de documentos sobre a atuação do Banco Central no caso
• 8 de janeiro: A PF apura ataques coordenados nas redes contra autoridades envolvidas na investigação
• 14 de janeiro: Nova fase da operação da PF cumpre mandados e bloqueia R$ 5,7 bilhões em bens
• 15 de janeiro: O Banco Central liquida a Reag Trust, ligada ao esquema
• 17 de janeiro: O FGC inicia pagamento a clientes do Banco Master
• 21 de janeiro: O Banco Central decreta a liquidação do Will Bank, ligado ao grupo Master
• 6 de fevereiro: Área técnica do TCU conclui inspeção sobre a atuação do BC
• 11 de fevereiro: A PF aponta possível suspeição do ministro Dias Toffoli no caso
• 4 de março: Vorcaro é preso novamente, acusado de continuar operando o esquema e interferindo nas investigações
• 6 de março: Um dos principais aliados do banqueiro morre após tentativa de suicídio na prisão
• 13 de março: O STF mantém a prisão preventiva de Vorcaro. A defesa avalia acordo de delação premiada
• 18 de março: Defesa de Vorcaro sinaliza possibilidade do cliente fazer acordo de delação premiada após se reunir com o relator do caso no STF, André Mendonça
• 23 de março: A imprensa divulga que Daniel Vorcaro pode ter acessado dados sigilosos. Um print mostra que ele pesquisou o nome do juiz do caso Master um dia antes da prisão, em 2025
Veja o resumo no infográfico:



