Dia Mundial da Saúde: O impacto invisível da superdotação feminina na saúde mental!

Psiquiatra, Dra. Thaíssa Pandolfi, destaca o peso emocional vivido por mulheres com altas habilidades que nunca foram compreendidas

Por Michel Telles
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Dia Mundial da Saúde: O impacto invisível da superdotação feminina na saúde mental!

Foto: Divulgação

Por trás de trajetórias consideradas “fora da curva”, há um padrão que raramente entra na conversa clínica. Mulheres com altas habilidades frequentemente chegam aos consultórios após anos de desconforto interno, carregando rótulos que não explicam o que realmente vivem.

No Dia Mundial da Saúde, celebrado nesta terça-feira, 7 de abril, a psiquiatra Dra. Thaíssa Pandolfi chama atenção para um ponto pouco observado: a superdotação feminina não identificada pode impactar diretamente a saúde mental, muitas vezes de forma silenciosa.

Segundo a especialista, a leitura limitada da superdotação ainda leva a interpretações equivocadas. Em vez de reconhecimento, essas mulheres recebem diagnósticos que não contemplam a complexidade do seu funcionamento psíquico. “Superdotação não é só pensar rápido ou saber mais. É experimentar o mundo com profundidade, complexidade e intensidade. Essas mulheres sentem muito, percebem muito e, muitas vezes, não encontram espaço para elaborar tudo isso”, afirma Dra. Thaíssa Pandolfi.

Essa intensidade não aparece apenas no campo intelectual. Está presente na forma como essas mulheres se relacionam, constroem identidade e interpretam o mundo. Sensibilidade elevada, senso de justiça aguçado e uma percepção emocional ampliada fazem parte desse perfil, características que, sem acolhimento, podem se transformar em sofrimento psíquico.

Outro ponto crítico é o histórico de inadequação. Desde a infância, é comum o relato de deslocamento social, dificuldade de pertencimento e crises existenciais precoces. Ao longo do tempo, esse acúmulo pode levar a quadros de ansiedade, depressão ou esgotamento emocional, sem que a raiz do problema seja, de fato, compreendida. “Existe um custo emocional alto em perceber o mundo de forma tão intensa. Muitas dessas mulheres passaram a vida tentando se ajustar, quando, na verdade, precisavam ser compreendidas”, explica.

A especialista também destaca que a superdotação feminina ainda é subdiagnosticada, especialmente porque muitas mulheres desenvolvem estratégias para se adaptar socialmente, mascarando suas diferenças cognitivas e emocionais.

Esse cenário contribui para um ciclo silencioso: quanto menos identificada, maior a chance de sofrimento psicológico não tratado de forma adequada. “Superdotação não é privilégio. É uma forma intensa de existir. Quando não reconhecida, pode gerar dor, solidão e confusão interna. Quando acolhida, se transforma em potência criativa e emocional”, conclui.

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