El Niño chegará ao Brasil; especialistas alertam para risco de "desastre térmico"
Fenômeno provoca ondas de calor e redução das chuvas em algumas regiões do país

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
O El Niño, fenômeno meteorológico, deve chegar ao Brasil no segundo semestre, gerando fortes ondas de calor, principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) enviou uma nota técnica à Casa Civil neste mês, alertando sobre o fenômeno. O climatologista José Marengo, um dos autores da nota, afirma que 2026 pode se tornar o ano mais quente da História da Humanidade, superando 2024.
Conforme a nota do Cemaden, o El Niño costuma provocar redução das chuvas no Norte, e aumento no Sul. Já na região central, como Sudeste e Centro-Oeste, ondas de calor são mais frequentes, acompanhadas de baixa umidade.
A chance do fenômeno se estabelecer no Oceano Pacífico no segundo semestre é de 80%, segundo Marengo. Ainda não se sabe a intensidade com que chegará ao Brasil, pois as previsões perdem a precisão em períodos maiores que dois meses.
Os primeiros sinais do El Niño começam a aparecer no Natal, mas se desenvolve de fato entre abril e junho, e demonstra seus efeitos nos meses seguintes, principalmente de outubro a fevereiro.
Em 2024, o El Niño não foi classificado como muito forte, mas teve efeitos significativos como a tragédia no Rio Grande do Sul e uma seca recorde na Amazônia.
O calor será intenso, pois o aumento nas temperaturas devido à chegada do fenômeno se juntam a um planeta já mais quente e desmatado. Segundo a Organização Meteorológica Mundial, os anos de 2015 a 2025 foram os mais quentes já registrados. O desmatamento aumenta a temperatura porque reduz a cobertura vegetal, que ajuda a proteger o solo dos raios solares e a perda da umidade.
A diferença entre a energia que chega do Sol e que é irradiada de volta para o espaço está em seu nível mais alto desde o início das observações, em 1960, causando o que é chamado de desequilíbrio energético da Terra.
A área afetada por ondas de calor cresceu nos últimos cinco anos, segundo Marengo. Em 2024, foram registradas dez ondas de calor, em 2023, foram registradas oito, e em 2025, mesmo sem El Niño, sete ondas de calor atingiram o Brasil. É o período com maior número de ondas de calor na História do Brasil.
O climatologista destaca que elas estão cada vez mais longas, algumas superando dez dias. No entanto, o maior problema não é a alta temperatura, mas sim a duração dela, acima do conforto térmico do ser humano, na faixa dos 23ºC.
O Nordeste deve sofrer um maior impacto no sertão, onde municípios dependem de barragens que demoram mais tempo para encher em períodos com menos chuva. O Cemaden destaca que o Oceano Atlântico Tropical também interfere no regime de chuvas da região, além também de processos não climáticos como o desmatamento e mudanças no uso da terra, que podem agravar secas e enchentes.


