Em evento sobre IA em hospitais, Lula relembra atendimento depois de queda em banheiro
Após acidente, presidente reclamou da demora da transferência da capital federal para São Paulo

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República
O presidente Lula (PT) brincou nesta quarta-feira (7) ao comentar o atendimento que recebeu quando caiu no banheiro do Palácio da Alvorada e bateu a nuca em outubro de 2024.
O chefe do Executivo comentou sobre o episódio durante cerimônia, no Palácio do Planalto, de lançamento da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do SUS. O projeto visa a utilização de inteligência artificial e outras tecnologias para agilizar, ampliar e melhorar o atendimento na rede pública.
Lula afirmou que depois de cair foi atendido em um dos melhores hospitais de Brasília, por conta do excesso de líquido na cabeça ocasionado pela batida. Os médicos "apavorados", optaram pela transferência do presidente para São Paulo, aonde passou por cirurgia.
Neste momento, Lula se queixou da demora no transporte aéreo. "Não tinha nem avião presidencial aqui, tive que esperar 3 horas e, depois, viajar uma hora e meia de avião", disse.
"No aeroporto [em São Paulo], a equipe médica tinha quatro pessoas, tinha dois médicos chorando achando que eu podia ter entrado em coma no avião. Com esse anúncio [desta quarta], espero que a gente coloque uma coisa inteligente aqui em Brasília", afirmou Lula.
IA e outras tecnologias
A expectativa com o projeto anunciado pelo governo nesta quarta é de tornar o atendimento mais prático e diminuir em até cinco vezes o tempo de espera em situações de emergência.
"Os hospitais inteligentes usam da mais alta tecnologia e inteligência artificial, usando uma rede que permite fazer procedimentos a distância e para acelerar o diagnóstico", destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O projeto visa uma rede de serviços inteligentes, com 14 UTIs automatizadas e interligadas, distribuídas por 13 estados das cinco regiões do país. Os primeiros serviços da rede devem funcionar já neste ano.
Instalado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente, deverá beneficiar aproximadamente 20 mil pacientes anualmente.
A unidade terá 800 leitos destinados à emergência de adultos e crianças, nas áreas de neurologia, neurocirurgia, cardiologia, terapia intensiva e outras urgências.
Do número total, serão 250 leitos de emergência, 350 de UTI e 200 de enfermaria, além de 25 salas cirúrgicas. O começo das operações está previsto para 2027.
Ajuda humanitária à Venezuela
Ao longo da entrevista no Planalto, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi questionado por jornalistas sobre eventual crescimento da demanda no sistema de saúde de Roraima em função do fluxo migratório de venezuelanos.
De acordo com Padilha, o Brasil está preparado para atender a região em função de alta procura, mas disse que, até o momento, não foi registrado crescimento representativo da demanda.
Padilha também disse que o Brasil está preparado para o encaminhamento de insumos para diálise à Venezuela, a pedido da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
Segundo o ministro, aproximadamente 16 mil pacientes venezuelanos ficaram sem condições de dar continuidade ao tratamento depois de bombardeios no país, que afetou o centro de distribuição de medicamentos da Venezuela.
Alexandre Padilha destacou que o envio do material não compromete o atendimento de pacientes brasileiros em tratamento de diálise.
"Estamos mobilizando a doação do Brasil e, se for necessário, enviaremos os insumos, são medicamentos, não afeta em nada a estrutura que de diálise no Brasil, são apenas insumos para que enfrentem essa crise. Fazemos por uma questão humanitária. Na pandemia da Covid, vieram oxigênios da Venezuela para ajudar o povo brasileiro e não vamos nos furtar de ajudar", afirmou o ministro.


