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Fundo ligado à Reag é investigado após operação de R$ 450 milhões com recursos do Banco Master

Ministério Público Federal e Banco Central apuram sequência de transações

Por Da Redação
Às

Atualizado
Fundo ligado à Reag é investigado após operação de R$ 450 milhões com recursos do Banco Master

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Com 20 dias de funcionamento, o fundo Brain Cash, administrado pela gestora Reag, recebeu um aporte de R$ 450 milhões e ampliou de forma significativa seu patrimônio. O recurso teve origem em um empréstimo concedido pelo Banco Master ao único cotista do fundo, uma empresa comandada por uma ex-funcionária da Reag. A operação passou a ser apurada pelo Banco Central (BC) e pelo Ministério Público Federal (MPF). As informações são do O Globo. 

O Brain Cash foi registrado em 5 de abril de 2024, com patrimônio inicial de R$ 15 mil e proposta de investir em crédito privado. O único investidor era a empresa Brain Realty Consultoria e Participações Imobiliárias.

Em 24 de abril, às 15h22, o fundo recebeu o aporte de R$ 450 milhões da Brain Consultoria, que havia contratado dois dias antes um empréstimo de R$ 459 milhões junto ao Banco Master. A empresa havia ampliado seu capital social de R$ 100 para R$ 2,2 milhões quatro meses antes da operação.

Cerca de uma hora e meia após o aporte, os recursos foram transferidos para o Fundo D Mais, também ligado à Reag. Três minutos depois, o mesmo valor foi repassado ao FIDC High Tower para a liquidação parcial da compra de papéis do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Segundo a investigação, esses ativos foram reavaliados para R$ 10,8 bilhões, com registro de rentabilidade de 10.502.205,65% em 2024.

As apurações identificaram ainda outras operações consideradas suspeitas, realizadas por meio de uma rede de fundos, algumas delas de forma fracionada. Há indícios de que a estrutura teria sido usada para reavaliar ativos de baixa liquidez e gerar rentabilidade sem lastro econômico correspondente.

De acordo com a investigação, após circular por fundos administrados pela Reag, parte dos recursos teria retornado ao Banco Master por meio da compra de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), principal instrumento de captação da instituição.

Nesta segunda-feira, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e diretores da autarquia se reúnem com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) após o recuo na inspeção relacionada à liquidação do Banco Master, ocorrida no fim do ano passado por suspeita de fraude. Participam do encontro os diretores Ailton de Aquino (Fiscalização), Gilneu Vivan (Regulação), Izabela Correa (Cidadania e Supervisão de Conduta) e Rogério Lucca (Secretário-Executivo).

Procurada, a Reag afirmou “que os recursos mencionados decorrem de operações de crédito estruturadas cujos desembolsos estavam vinculados ao avanço de projetos específicos” e que, “por determinação contratual, a liberação das parcelas só poderia ocorrer após a confirmação de marcos de execução e aprovação técnica desses projetos”. Segundo a gestora, “enquanto tais condições não eram verificadas, os valores não podiam ser utilizados e deveriam permanecer aplicados em instrumentos financeiros vinculados ao próprio credor”. A empresa sustenta que esse modelo é “amplamente utilizado no mercado de crédito estruturado”.

A Reag também é alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e em empresas financeiras. Pelo menos três fundos administrados pela gestora que mantiveram operações com o Master constam na lista de investigados.

A gestora nega irregularidades e afirma que a associação “não consta de nenhum documento oficial, de nenhuma denúncia, relatório de análise ou manifestação das autoridades competentes”.

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