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Conselho da Paz: governo avalia convite de Trump e vê debate como oportunidade para pressionar por reforma da ONU

Diplomacia brasileira não tem prazo para responder proposta

Por Da Redação
Às

Atualizado
Conselho da Paz: governo avalia convite de Trump e vê debate como oportunidade para pressionar por reforma da ONU

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

Enquanto analisa o convite feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o chamado Conselho da Paz, o governo brasileiro avalia que a movimentação internacional em torno do novo órgão pode abrir espaço para discutir a paralisia da Organização das Nações Unidas no atual cenário geopolítico.

Segundo integrantes do governo, não há pressa para responder ao convite. A tendência é que o Brasil, em vez de uma resposta direta, encaminhe pedidos de esclarecimentos técnicos sobre brechas jurídicas no estatuto do conselho proposto por Trump.

A estratégia do Palácio do Planalto é usar o debate sobre os interesses e o funcionamento do órgão criado de forma unilateral pelos Estados Unidos como argumento para defender uma reforma do Conselho de Segurança da ONU durante a Assembleia Geral da organização, prevista para setembro.

O Brasil pretende articular outros países em torno de uma proposta de reforma que amplie a representatividade do sistema multilateral, de acordo com fontes da diplomacia ouvidas pelo G1. A avaliação é de que, sem mudanças, iniciativas paralelas tendem a ganhar espaço. Diplomatas afirmam que o conselho proposto por Trump é visto como um indicativo das limitações do modelo atual da ONU, especialmente diante da incapacidade do Conselho de Segurança de responder a conflitos como o da Faixa de Gaza.

"Se Trump parar o genocídio em Gaza, ele prova que a ONU não serve mais para nada no formato atual", afirmou uma fonte ligada à diplomacia brasileira.

Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apontam problemas estruturais na proposta do Conselho da Paz. Entre eles, a previsão de presidência fixa dos Estados Unidos, em contraste com o sistema de rodízio da ONU; a exigência de um pagamento de US$ 1 bilhão para garantir assento permanente; e a ausência de negociação sobre o estatuto, já que o texto não prevê emendas e funcionaria por adesão.

Fontes do governo avaliam ainda que, caso o conselho consiga interromper o conflito em Gaza, o resultado reforçaria a percepção de esgotamento institucional das Nações Unidas. Apesar de setores palestinos verem com bons olhos uma eventual participação do Brasil, diplomatas destacam como ponto de atrito a ausência de atores centrais, como a Autoridade Palestina, que não teria sido consultada sobre o estatuto.

A posição do governo brasileiro é de que o país não deve aceitar integrar um colegiado cujas regras tenham sido definidas de forma unilateral por Washington. O Brasil condiciona qualquer participação à renegociação das bases do conselho, com atuação direta na formulação das regras.

Diplomatas classificam o modelo proposto pelos Estados Unidos como uma “paz mercantil”, ao vincular o peso das decisões ao aporte financeiro dos integrantes. O governo avalia que a discussão sobre o convite deve ganhar força no segundo semestre, com a aproximação da Assembleia Geral da ONU.

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