Governo prevê novas sanções dos EUA com julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe
Ex-presidente começa a ser julgado na terça-feira (2) no STF; Trump já havia citado o caso entre os motivos do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros.

Foto: Reprodução/ Agência Brasil
O governo Lula projeta uma nova série de sanções econômicas dos EUA em relação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado.
Na terça-feira (2), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciará a análise dos processos contra Bolsonaro e outros membros do núcleo central, acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de orquestrar ações para obstruir a posse de Lula em 2023.
De acordo com a PGR, Bolsonaro foi o "principal articulador, maior beneficiário e autor" do esquema de desestabilização democrática.
O julgamento ocorre em meio a pressões do presidente americano Donald Trump, que tem cobrado o arquivamento das ações contra o ex-aliado.
Trump citou o caso de Bolsonaro como um dos motivos para a imposição de um tarifaço de 50% sobre importações brasileiras, em vigor desde 6 de agosto.
Integrantes do governo brasileiro avaliam que, se Bolsonaro for condenado, a Casa Branca deve anunciar novas medidas de retaliação, inclusive sanções direcionadas a ministros do STF.
O julgamento de Bolsonaro será acompanhado por dezenas de jornalistas estrangeiros e é considerado um dos processos mais emblemáticos da história recente do STF.
Diplomatas brasileiros avaliam que a repercussão da decisão terá impacto direto na relação entre Brasília e Washington, com reflexos imediatos sobre comércio e investimentos.
Resposta brasileira
Fontes do Planalto afirmam que o início dos procedimentos de Lei de Reciprocidade já estava previsto, mas pode servir como instrumento de negociação.
“Espero que ajude a acelerar o diálogo e a negociação”, disse o vice-presidente Geraldo Alckmin.
O governo descarta, por ora, sobretaxar produtos americanos para não prejudicar o setor produtivo. A estratégia seria adotar respostas políticas, como medidas envolvendo propriedade intelectual por exemplo, quebra de patentes de medicamentos ou tributação de aplicativos de streaming.