Governo Trump impõe condições à Venezuela para retomada da produção de petróleo
Exigências incluem rompimento com aliados estratégicos e parceria exclusiva com os Estados Unidos no setor energético

Foto: Divulgação/Casa Branca | Reprodução/Redes Sociais | Marcelo Camargo/Agência Brasil
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabeleceu uma série de condições para autorizar a retomada da produção de petróleo na Venezuela. As exigências foram apresentadas à presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, durante negociações conduzidas pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, segundo informações repassadas por dois altos funcionários da Casa Branca à CNN.
Entre os pontos centrais colocados pelos Estados Unidos está a exigência de que a Venezuela rompa relações com China, Irã, Rússia e Cuba. Além disso, o governo americano quer que Caracas firme uma parceria exclusiva com os EUA na exploração e produção de petróleo, priorizando empresas norte-americanas nas futuras vendas do produto.
De acordo com as fontes, Rodríguez também teria de se comprometer a favorecer o governo Trump e companhias petrolíferas dos Estados Unidos nas negociações comerciais do setor. A ABC News foi a primeira a divulgar detalhes sobre as exigências, que surgiram após a captura de Nicolás Maduro, líder deposto, no último fim de semana.
Apesar disso, Marco Rubio teria indicado que as demandas mais imediatas envolvem a retirada da influência de adversários estrangeiros do território venezuelano, a cooperação nas vendas de petróleo e um alinhamento maior no combate ao narcotráfico. Segundo pessoas presentes em reuniões com parlamentares, o secretário confirmou que as condições já foram formalmente transmitidas ao governo interino.
Até o momento, não há confirmação de que a Venezuela tenha aceitado as exigências. Ainda assim, autoridades americanas afirmam acreditar que o reforço militar dos Estados Unidos na costa venezuelana exerce pressão suficiente para forçar uma concessão por parte do governo de Rodríguez. Caso haja cooperação, a Casa Branca sinaliza que pode reavaliar o regime de sanções imposto ao país.
Segundo fontes ouvidas pela CNN, Trump tem manifestado a aliados o objetivo de reduzir a presença de Irã, Rússia e China no hemisfério ocidental. Nesse contexto, afastar esses países da cadeia petrolífera venezuelana é visto como uma prioridade estratégica.
Embora o governo americano ainda trabalhe em planos de longo prazo para ampliar a extração de petróleo venezuelano e reconstruir a infraestrutura energética do país, o foco imediato é impedir que o petróleo seja destinado a países considerados adversários.
Significando esse movimento, Trump deve se reunir na sexta-feira (9) com executivos do setor petrolífero. Representantes da Chevron, atualmente a única empresa americana em operação na Venezuela, além de executivos da Exxon Mobil e da ConocoPhillips, são esperados no encontro, assim como dirigentes de outras companhias do setor.
O encontro ocorre poucos dias após Trump afirmar, em publicação nas redes sociais, que o governo interino da Venezuela "entregará entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo de alta qualidade, sujeito a sanções, aos Estados Unidos da América". Na mesma mensagem, o presidente acrescentou: "Este petróleo será vendido a preço de mercado, e esse dinheiro será controlado por mim, como presidente dos Estados Unidos da América".


