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Hotel no interior paulista preserva a história da Seleção Brasileira nas Copas de 1962 e 1966!

Hotelfoi base da equipe bicampeã mundial que ajudou a projetar a cidade como destino nacional.

Por Michel Telles
Às

Hotel no interior paulista preserva a história da Seleção Brasileira nas Copas de 1962 e 1966!

Em ano de Copa do Mundo, um endereço no interior paulista resgata uma conexão direta com dois momentos marcantes do futebol brasileiro. Há 60 anos, o Grand Resort Serra Negra abria suas portas para receber a Seleção Brasileira na preparação final antes da Copa do Mundo de 1966, que ocorreria na Inglaterra. Não era a primeira vez: em 1962, o mesmo hotel já havia servido de quartel-general para os jogadores que embarcariam rumo ao Chile e voltariam com a taça do bicampeonato mundial. Duas concentrações, dois momentos históricos, um único cenário, que é preservado até hoje nas paredes, nos corredores e no memorial do hotel. 

A presença da equipe bicampeã mundial em Serra Negra transformou a rotina da cidade. Até então reconhecida somente por suas águas minerais, a estância passou a atrair atenção internacional com a chegada de jornalistas estrangeiros que acompanhavam a preparação da Seleção. “A expansão da cidade como um destino turístico foi a partir daí, porque Serra Negra foi para o mundo”, afirma o historiador local Nestor Leme, que acompanhou de perto as duas concentrações, sendo que na primeira, atuou até como gandula durante os treinos. A escolha pelo hotel não foi por acaso. Na época, não existia ainda um centro de treinamento próprio como a Granja Comary, inaugurada posteriormente em Teresópolis (RJ). As concentrações aconteciam em cidades com estrutura hoteleira de excelência, clima ameno e tranquilidade. Bem instalado na Serra da Mantiqueira e fundado, o hotel reunia essas características e, não à toa, foi escolhido em duas ocasiões. A articulação para levar a equipe até a cidade também teve participação de Carlos Nascimento, dirigente da CBD, atual CBF, que possuía ligação com a região.

As concentrações da década de 1960 contrastam com o modelo atual de isolamento das delegações. Nessa época, os jogadores circulavam pela cidade, interagiam com moradores e mantinham uma rotina próxima da população local. “Eles andavam pela rua, conversavam com todo mundo, entravam nos bares”, relembra Leme. Entre os registros da época, há até imagens de Pelé pescando em pontos turísticos da cidade.

Os treinos aconteciam no Estádio Municipal da cidade, que precisou passar por uma reforma especial em 1965 para adaptar o gramado às medidas dos campos da Copa na Inglaterra; um detalhe técnico que evidencia o quanto a cidade se mobilizou para receber a Seleção. O estádio, inclusive, teve sua inauguração marcada pela presença dos craques, tornando-se parte permanente da história esportiva de Serra Negra.

Dois momentos marcantes da história

Os contextos das duas preparações foram distintos. Em 1962, a equipe embarcou com um grupo considerado coeso e voltou com o título do bicampeonato mundial. Já em 1966, a convocação ampliada e influenciada por pressões políticas resultou em um elenco numeroso, com cortes sendo realizados ao longo do período de treinos. A etapa final dessas definições ocorreu em Serra Negra. “Sobrou uns 30, 32 jogadores aqui. Não tinha como ir todo mundo”, recorda o historiador.

A memória viva

Até os dias de hoje, o Grand Resort Serra Negra mantém viva essa trajetória. Um memorial dedicado ao futebol reúne registros das passagens da Seleção, incluindo um monumento com assinaturas em cimento de nomes como Pelé, Garrincha, Gilmar e Zagallo. Fotografias históricas espalhadas pelos ambientes do hotel ajudam a reconstruir o cenário da época.

Com a proximidade de mais uma Copa do Mundo, o hotel se posiciona como um ponto de interesse para pautas que conectam turismo, memória e esporte. A história preservada em Serra Negra revela um recorte pouco explorado da preparação da Seleção Brasileira e reforça o papel de destinos do interior na construção de capítulos relevantes do futebol nacional.

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