Lula afirma que "não tem pressa" para aplicar Lei de Responsabilidade contra EUA
Presidente disse estar disposto a negociar com Estados Unidos

Foto: José Cruz/Agência Brasil
O presidente Lula (PT) afirmou, nesta sexta-feira (29), que "não tem pressa" para aplicar a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos, mas que o processo necessita caminhar, incluindo para tentar acelerar as negociações com o país norte-americano sobre o tarifaço de 50% aplicado aos produtos do Brasil.
O presidente autorizou a aplicação da nova legislação, que foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada em abril, e a Câmara de Comércio Exterior (Camex) começou o processo que tem, entre as etapas, a de notificar os Estados Unidos sobre a resposta brasileira à aplicação de tarifas.
“Eu não tenho pressa de fazer qualquer coisa com a reciprocidade contra os Estados Unidos. Tomei a medida porque eu tenho que andar o processo”, afirmou Lula em entrevista à Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte.
A lei garante ao Brasil dar uma resposta a eventuais medidas unilaterais adotadas por outros países contra produtos brasileiros, como a sobretaxas adotadas pelos EUA.
“Se você for tentar andar na forma que todas as leis exigem, o comportamento da Organização Mundial do Comércio [OMC], das regras, você vai demorar um ano. Então, nós temos que começar, nós já entramos com o processo na Organização Mundial do Comércio. Nós temos que dizer para os Estados Unidos que nós temos coisas para fazer contra os Estados Unidos. Mas eu não tenho pressa, porque eu quero negociar”, disse.
Apesar da taxa inicial ter sido de 10%, no dia 6 de agosto, entrou em vigor a tarifa adicional de 40% contra o Brasil em retaliação a decisões que, de acordo com Trump, prejudicariam as big techs estadunidenses e em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de liderar uma tentativa de golpe de Estado depois de perder as eleições de 2022.
De tudo que é exportado pelo Brasil ao país norte-americano, 35,6% estão sob uma tarifa de 50%.
Lula reafirmou a soberania do Brasil e destacou que caso as autoridades norte-americanas desejarem "negociar sério com o Brasil" sobre as questões comerciais, "nós estaremos dispostos a negociar 24 horas por dia". Porém, o presidente argumentou que as autoridades brasileiras estão com pouco espaço de negociação nos Estados Unidos.
O presidente lembrou que o vice-presidente Geraldo Alckmin lidera a missão de poder buscar novos acordos junto com os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
“Até agora nós não conseguimos falar com ninguém [...]. Então eles não estão dispostos a negociar. Se o Trump quiser negociar, o Lulinha paz e amor está de volta”, disse Lula, reforçando que não vai telefonar para Trump.
“Não tentei ligar. Eu não tenho nenhum problema de falar com quem quer que seja, ele tem que dar um sinal de que quer negociar. Porque as pessoas falam para ligar para o Trump, mas se o secretário de Tesouro não falou com Haddad, se o Alckmin não conseguiu falar com o cidadão do comércio, porque as pessoas acham que o telefonema meu para o Trump iria resolver?” questionou Lula,
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