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Nísia diz que Lula queria novo perfil na Saúde e que demissão não depõe contra seu trabalho

A ministra será substituída por Alexandre Padilha (PT)

Por FolhaPress
Ás

Nísia diz que Lula queria novo perfil na Saúde e que demissão não depõe contra seu trabalho

Foto: Agência Brasil

Um dia após a confirmação da troca do comando do Ministério da Saúde, a socióloga Nísia Trindade disse que o presidente Lula (PT) decidiu demiti-la para mudar o perfil na condução da pasta.

"A conversa com o presidente tem o tom de ele me comunicar a sua avaliação desse segundo momento do governo, vamos dizer assim, e que ele achava importante uma mudança de perfil à frente do Ministério da Saúde, agradecendo ao trabalho realizado", disse Nísia nesta quarta-feira (26).

A ministra será substituída por Alexandre Padilha (PT), que deixa o comando da SRI (Secretaria de Relações Institucionais) e toma posse na Saúde em 6 de março.

Como a Folha antecipou na semana passada, Lula já havia avisado a aliados que substituiria a ministra. A gestão de Nísia vinha sendo alvo de queixas de integrantes do Congresso, de membros do Palácio do Planalto e do próprio presidente, que chegou a fazer cobranças pela falta de uma marca forte na área.

Nísia defendeu a sua gestão e disse que a demissão não foi por falta de entregas.

"Ele é o técnico de um time, faz parte da vivência de qualquer governo a substituição de ministros. Isso nada depõe em relação ao meu trabalho, sou muito consciente disso", afirmou ela a jornalistas ao chegar ao Ministério da Saúde na manhã desta quarta.

A ministra ainda foi aplaudida por integrantes de sua equipe que a aguardavam em frente ao ministério. Ela reclamou da cobertura da imprensa sobre a sua demissão.

"Estou me referindo ao processo chamado por vocês mesmos de 'fritura' na imprensa. Isso [a cobertura] é inconcebível, não deveria acontecer, simplesmente deveriam se apurar os fatos e não se antecipar a decisões que cabem ao presidente", disse a ministra.

O governo iniciou nesta quarta-feira as reuniões de transição no comando da Saúde. Os atuais secretários da pasta se reuniram nesta manhã para apresentar dados de ações planejadas e em andamento.

Já Alexandre Padilha deve conversar com a equipe de Nísia nesta quinta (27).

FRITURA
O governo levou cinco dias para confirmar a demissão de Nísia, desde a revelação de que Lula havia decidido trocá-la. A ministra soube da troca pelos jornais, e a espera pela confirmação da mudança na pasta irritou integrantes de sua equipe.

Na manhã de terça, horas antes da demissão, Nísia e Lula ainda participaram de evento no Planalto marcado pelo tom de despedida da ministra. Ela foi fortemente ovacionada por integrantes de sua equipe e pediu aplausos aos atuais secretários da Saúde. O presidente não discursou no evento.

À frente da pasta, Nísia enfrentou uma sequência de crises, com a explosão de casos de dengue e a falta de alguns modelos de medicamentos e vacinas em todo o país.

A mudança de Nísia ocorre num momento de baixa popularidade do governo federal. Há uma avaliação no Palácio do Planalto de que, nesse contexto, a pasta da Saúde tem potencial para apresentar e implementar políticas públicas de maior visibilidade, entre eles o Mais Acesso a Especialistas.

O programa promete reduzir filas e ampliar o acesso da população a exames e consultas especializadas nas áreas de oncologia, cardiologia, oftalmologia, otorrinolaringologia e ortopedia. Auxiliares de Lula apostam que, sob nova direção, essa iniciativa pode ser uma vitrine e virar uma marca da gestão petista.
 

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