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Obesidade aumenta presença de biomarcadores para Alzheimer, diz pesquisa

A relação entre obesidade e Alzheimer já é um tema recorrente na literatura médica

Por FolhaPress
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Obesidade aumenta presença de biomarcadores para Alzheimer, diz pesquisa

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A obesidade pode ampliar a concentração de biomarcadores do Alzheimer ao longo dos anos. Essa foi a conclusão de um estudo apresentado por cientistas que defendem a necessidade de investigar o tema mais a fundo pelo potencial que a descoberta representa. Com mais dados como esse, medicamentos contra obesidade poderiam igualmente reduzir riscos para a demência.

A relação entre obesidade e Alzheimer já é um tema recorrente na literatura médica, afirma Raphael Machado de Castilhos, membro do Departamento Científico de Cognição e Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia (ABN). "Pessoas que têm obesidade entre 40 e 60 anos têm mais chance de desenvolver algum tipo de demência em idades mais avançadas", afirma.

A nova pesquisa, apresentada congresso anual da Sociedade Radiológica da América do Norte, buscou trazer mais dados sobre o tema, especialmente sobre como a obesidade pode impactar o desenvolvimento de Alzheimer ao longo do tempo. No total, foram 407 pacientes com idade média de 72 anos incluídos na investigação.

No início da pesquisa, esses participantes passaram por uma primeira avaliação. Para medir a obesidade, o IMC (Índice de Massa Corporal) foi a métrica adotada. Já em relação ao Alzheimer, os autores avaliaram biomarcadores para a demência por diferentes meios: o primeiro deles foi por PET, que é uma tomografia no cérebro que auxilia na medição de amiloide, um distúrbio em proteínas associado ao Alzheimer; o segundo método foi por meio de testes sanguíneos que dosam a presença de biomarcadores para a demência no sangue.

A partir da primeira avaliação, os autores inicialmente não observaram uma correlação entre obesidade e uma maior presença dos indicadores biológicos para Alzheimer. Mas isso mudou: os participantes foram acompanhados por cinco anos e, no final desse período, aqueles com obesidade já no começo do estudo tinham um aumento muito mais alto nos índices de concentração de amiloides em comparação ao grupo sem peso excessivo. Em alguns casos, essa aceleração no índice dos biomarcadores foi de até 95% maior nos pacientes com obesidade.

Esse resultado foi visto principalmente nos dados coletados a partir da tomografia cerebral. Enquanto isso, os testes sanguíneos apresentaram resultados mistos. "Parece que esses biomarcadores no sangue [...] não ficaram piores ao longo do tempo", resume Castilhos, que não participou da pesquisa.

O resultado do estudo é um indicativo de que a obesidade pode representar um maior risco para o desenvolvimento de Alzheimer. Ao mesmo tempo, essa premissa também implica que o controle de peso excessivo pode diminuir os riscos para a demência.

"Uma das principais implicações deste estudo é que, ao reconhecermos que existem tratamentos cada vez mais eficazes para reverter os efeitos da obesidade, existe o potencial de utilizarmos remédios anti-obesidade para reduzir o risco de doença de Alzheimer", afirmou Cyrus Raji, da Escola de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis, nos Estados Unidos, e um dos responsáveis pela pesquisa.

Por isso, os cientistas apontam que futuros estudos poderiam investigar o impacto que remédios para controle de peso têm em prevenir demências como o Alzheimer.

No entanto, também seria importante analisar com mais detalhes a associação entre obesidade e Alzheimer, já que a principal limitação do estudo é que os resultados não foram controlados para outros fatores de risco, como hipertensão ou diabetes, afirma Castilhos. "As pessoas com obesidade também têm outros fatores de risco que vêm junto com essa condição. Esses outros fatores poderiam explicar o acúmulo de betamiloide e, nesse caso, não ocorreria necessariamente por causa da obesidade", conclui Castilhos.

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