Odoyá: Fé em Iemanjá mobiliza baianos e turistas em celebração do 2 de fevereiro
Patrimônio cultural da cidade, o 2 de fevereiro é marcado pela entrega dos presentes à rainha do mar

Foto: Catharina Ollandezos
Na manhã desta segunda-feira (2), o bairro do Rio Vermelho amanheceu com cheiro de Alfazema e as ruas tomadas por flores e pessoas de diferentes idades para celebrar a Festa de Iemanjá. Patrimônio cultural da cidade, o 2 de fevereiro é marcado pela entrega dos presentes à rainha do mar.
A festa iniciou na madrugada com a entrega do presente de Oxum no Dique do Tororó. O terreiro Olufanjá, localizado no bairro da Tancredo Neves, em Salvador, foi encarregado de fazer a principal oferenda e também está a frente da entrega do presente de Iemanjá pelo segundo ano consecutivo. A obra de arte, produzida pela artista Sandra Rosa, estava exposta em frente a Casa de Iemanjá, no Rio Vermelho com uma fila de devotos esperando para colocar flores e fazer pedidos.
Ogã do templo religioso, Elias Conceição falou sobre o processo de elaboração dos presentes, “são sempre alinhados a características do orixá, mas não podemos deixar de pergunta para as mães das águas o que elas querem. Não existe um manual pronto ‘quadradinho’ com uma temática, é coisa que vem da ancestralidade da espiritualidade. Onde estejam as energias elas determinam”.
Para ele, ver a fé e devoção das pessoas que participam é o que há de mais belo na festa. “Você vê que essas pessoas tem devoção, tem fé. É algo real e indubitável a fé das pessoas aqui na Bahia”, comentou.
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Gerônia Silva Santos, estava com flores na mão esperando na fila seu momento de contemplar o presente e fazer seu pedido. “ Vim pedir saúde pra família, paz e agradecer por todas as conquistas do ano que passou. Iemanjá é a força que nos sustenta, é o amor e o respeito que temos pelas águas”.
Assim como ela, o paulista Paulo Leite também foi pedir saúde. Paulo estava acompanhado do marido, Roberto, os dois costumam vir há 22 anos a Salvador para acompanhar a festa da Rainha do Mar.
“Eu sou de religião de matriz africana, sou de Candomblé. Então isso para mim é muito importante. Tivemos muito problema no ano passado com saúde na família, que nos interessa é que ela nos acolha com saúde esse ano, porque trabalhar, todas as coisas, a gente vai ter que fazer o ano todo”, compartilhou.
Na praia é possível encontrar diversos barquinhos que levam a população para colocar suas oferendas no mar. O pescador Edmilson, conhecido como “Bola”, integra a Colônia de Pescadores do Rio Vermelho Z1, que costuma estar a frente da organização desses passeios. Membro da colônia há 26 anos e pescador há 53, ele conta que não notou grandes mudanças ao longo dos anos e que a festa permanece sendo sempre bela. “A mudança que eu percebo é com relação a imagem e a organização mesmo”.
Rogério Santos é filho de um terreiro do bairro de Mirantes de Periperi e estava na praia oferecendo passe e banho de pipoca para quem estava na festa. “Vim saudar Iemanjá, Rainha do Mar, tem mais de três anos que eu venho aqui para passar passe nas pessoas e tirar as coisas ruins”.
Apesar de elogiar a beleza da festa, ele destacou que tem achado as pessoas menos engajadas com a espiritualidade . “A energia tá boa, mas acho que o povo tá perdendo um pouco da fé, mas eu digo que não perca não, que Iemanjá é mãe. Quero todo mundo tomando seu axé e sua benção”, acrescentou.
Para a mãe de santo Banbeleda, do terreiro Iemanjá Ogunté, no bairro de Luís Anselmo, ir à festa é uma tradição que segue há 54 anos. Todo ano, a ialorixá faz questão de agradecer com oferendas à Iemanjá por ter conseguido se curar de um Câncer. “E hoje eu só tenho que agradecer. Primeiramente, Senhor do Bonfim, que eu sou devota dele e minha cabeça, meu Orí, é dela. E peço a vocês que tá me ouvindo, que vai me ouvir, não desista da fé, porque a fé é tudo. Quem tem fé, vai a pé, quem não tem, vai de trem”, contou comovida.


