Órgão do governo dos EUA publica bandeira associada ao nacionalismo em meio a críticas da Europa
Imagem associada ao slogan “America First” foi publicada em contexto de tensão diplomática

Foto: Reprodução/X
Uma publicação feita no perfil da Secretaria de Trabalho dos Estados Unidos na rede social X chamou atenção ao exibir uma bandeira histórica do país, conhecida como bandeira de Betsy Ross, em meio a críticas de líderes europeus à política externa do governo de Donald Trump. O símbolo remete a uma versão anterior à Guerra Civil americana e é frequentemente associado a discursos nacionalistas.
A bandeira traz 13 estrelas brancas organizadas em círculo sobre um fundo azul, representando as 13 colônias que deram origem aos Estados Unidos no século XVIII. Embora tenha origem ligada à Revolução Americana, o emblema vem sendo, nos últimos anos, ressignificado por grupos conservadores e nacionalistas.
A postagem ocorre em um cenário de atritos diplomáticos entre os Estados Unidos e países europeus, intensificados por decisões recentes da política externa americana. O slogan “America First”, historicamente ligado ao movimento MAGA e à liderança de Trump, também é citado como elemento simbólico dessa postura, ao defender a priorização dos interesses nacionais em detrimento da cooperação internacional.
As tensões ganharam novo fôlego após declarações do presidente da França, Emmanuel Macron, feitas nesta quinta-feira, durante o tradicional discurso anual aos embaixadores franceses. Na ocasião, ele afirmou que os Estados Unidos estão "desrespeitando as normas internacionais" e se afastando de aliados históricos.
"Os Estados Unidos são uma potência consolidada, mas estão se distanciando progressivamente de alguns de seus aliados e desrespeitando as normas internacionais que ainda promoviam até recentemente", declarou Macron. O presidente francês contextualizou a fala em um ambiente de crescente tensão global, marcado, segundo ele, por uma postura de "agressividade neocolonial".
Macron também criticou o enfraquecimento das instituições multilaterais e alertou para uma reorganização das relações internacionais. "As instituições multilaterais funcionam de forma cada vez pior. Estamos evoluindo para um mundo de grandes potências com uma verdadeira tentação de dividir o mundo", afirmou. Em seguida, reforçou sua posição ao dizer que "rejeitar o novo colonialismo, o novo imperialismo".
As declarações ocorreram após episódios recentes envolvendo a atuação dos Estados Unidos no cenário internacional, como ações na Venezuela e ameaças de anexação da Groenlândia, citadas pelo líder francês como exemplos de uma política externa mais assertiva e controversa.


