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Oruam é liberado 3 horas após ser preso; polícia encontra foragido em sua casa

O músico foi autuado em flagrante pelo crime de favorecimento pessoal

Por FolhaPress
Ás

Oruam é liberado 3 horas após ser preso; polícia encontra foragido em sua casa

Foto: Reprodução | Instagram

O rapper Oruam foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (26) que investiga disparos feitos por ele em um condomínio no interior de SP em dezembro. Durante o cumprimento dos mandados em sua residência, localizada no Joá, zona oeste do Rio, os policiais encontraram e recapturaram um foragido da Justiça por organização criminosa. O músico foi autuado em flagrante pelo crime de favorecimento pessoal.

O delegado Moyses Santana afirmou que, por ser um "delito de menor potencial ofensivo", o Oruam só ficará preso caso se recuse a colaborar e a assinar um termo circunstanciado. "Pode ser que ele não fique preso, mas não deixa de ser uma prisão em flagrante. Está autuado em flagrante delito."

"Ele falou que não sabia da situação do foragido que estava na residência dele. Mas os depoimentos das outras testemunhas dizem que o foragido apareceu no dia de ontem. Ele disse que não sabia que o cara estava foragido. Junto com ele [foragido] também foi encontrada uma pistola 9mm com kit rajada, munições e radiotransmissores", disse o delegado.

A reportagem tenta contato com os advogados do artista. Indagado sobre o motivo de ter um foragido em sua casa e se gostaria de dar uma declaração, o rapper disse: "Vou falar o quê?". A afirmação foi dada no momento em que ele entrava na Cidade da Polícia. "Tudo o que eu falar para vocês não adianta de nada."

Oruam foi conduzido para a Cidade da Polícia no início da manhã. Ele chegou em carro próprio, às 7h57, com um segurança. O trajeto até a sede das especializadas foi escoltado por viaturas policiais, que abriram caminho da zona oeste até a zona norte, onde fica a base da DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes).

O rapper deixou o local às 10h50 e afirmou que o foragido "não é traficante" e que a bala usada no vídeo era "de borracha".

"Ele não é traficante. Ele é uma pessoa normal e é meu amigo. Eu não sabia que ele estava foragido. Naquele dia, era bala de borracha", disse Oruam, referindo-se ao vídeo em que aparece disparando para o alto alvo da ação desta quarta.

"Vou voltar tranquilo para casa. O meu álbum está bombando e está do jeito que eu queria", disse.

Segundo a polícia, o foragido é Yuri Pereira Gonçalves, 25, que tem contra ele um mandado de prisão por organização criminosa. A reportagem não localizou seus defensores até a publicação deste texto.

Na residência do rapper a polícia também apreendeu diversos simulacros de armas de fogo, telefones celulares, joias, um anel com uma indicação de um urso e uma igreja na Penha.

Segundo o delegado, a reação de Oruam foi tranquila durante a operação.

A ação da polícia ocorre devido a um suposto disparo de arma de fogo que o rapper teria feito de forma aleatória em um condomínio no interior de São Paulo no final do ano passado, "colocando em risco a integridade de diversas pessoas", segundo a polícia. Pelo ocorrido, ele foi indiciado pelo crime de disparo de arma de fogo.

"Ele estava em uma casa em São Paulo com diversas pessoas, em uma espécie de festa. Pegou uma arma calibre 12 e, instigado por outras pessoas, realizou um disparo", afirmou o delegado. A arma não foi encontrada.

A investigação é conduzida pela DRE, que cumpriu mandados de busca e apreensão contra Oruam e sua mãe, Márcia Nepomuceno. As ordens foram expedidas pela Justiça de Santa Isabel (SP), após investigações apontarem que o rapper teria feito um disparo no dia 16 de dezembro em um condomínio em Igaratá (SP). Com isso, a Justiça determinou a busca da arma utilizada

Segundo o delegado, a Justiça autorizou a quebra de sigilo de celulares apreendidos na operação.

Em nota à reportagem, a Polícia Civil de São Paulo disse não haver investigação sobre os tiros. "A Polícia Civil do Estado de São Paulo não localizou, até o momento, nenhum registro envolvendo o cantor citado."

A reportagem apurou que a Polícia Militar mobilizou reforços para o Complexo da Penha, Alemão e outras comunidades relacionadas ao Comando Vermelho na manhã desta quarta. O objetivo é evitar que vias sejam bloqueadas em possível protesto contra a detenção de Oruam.

Oruam, nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, adotou esse pseudônimo ao inverter a grafia de seu primeiro nome. Ele é filho de Marcinho VP, condenado por assassinato, formação de quadrilha e tráfico de drogas, considerado pela polícia e promotoria o principal líder do Comando Vermelho. O rapper também possui uma tatuagem em homenagem ao pai e ao traficante Elias Maluco, condenado pelo assassinato do jornalista Tim Lopes.

Na semana passada, Oruam foi detido em flagrante após realizar manobras perigosas de carro na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, mas solto após pagamento de fiança.

O rapper usou fotos de sua prisão para promover seu novo álbum, "Liberdade". Na imagem publicada em seu Instagram, ele aparece com as mãos unidas atrás das costas, na altura da região lombar. No entanto, os agentes não utilizaram algemas ou outra forma de imobilização. Procurado pela reportagem na ocasião, o advogado do rapper não retornou as ligações. Oruam não quis prestar depoimento e afirmou que se manifestará em juízo.

Entre os bens do cantor, que ele exibe nas redes sociais, há um ônibus personalizado cotado em R$ 1 milhão. É o mesmo valor do Porsche Carrera 911 de 2021 que Oruam tem na garagem, ao lado de outro modelo apelidado por ele de "carro do Batman", um Audi TT RS avaliado em R$ 500 mil. Todo preto e com aerofólio traseiro.

Segundo apuração da Folha de S.paulo de 2010, Marcinho VP, já preso, acumulou R$ 40 milhões em dez anos.
 

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