Podomblé: Alessandra Bastos e Adriano Azevedo recebem prêmio Abebé de Prata Mãe Dadá, em Recife
Evento foi realizado no Teatro Luís Mendonça, na capital pernambucana
Foto: Reprodução
A idealizadora do podcast Podomblé, Alessandra Bastos, e o apresentador Adriano Azevedo receberam o prêmio Abebé de Prata Mãe Dadá, considerado o Oscar da cultura negra, no último domingo (10), na cidade de Recife, em Pernambuco.
O prêmio, em sua 14ª edição, agracia pessoas e instituições que atuam na luta contra a intolerância religiosa e o racismo. O Podcast Podomblé tem sido destaque neste segmento, uma vez que não só divulga as religiões de matriz africana, como também, tem sido movimento de esclarecimento e atuação contra qualquer tipo de preconceito e racismo, seja de cor, gênero ou religião.
Única mulher branca a receber o prêmio nesta edição, Alessandra Bastos falou da idealização do projeto, que nasceu de seu trabalho de conclusão de curso (TCC) de mestrado, feito sobre as linguagens religiosas:
"A religião é um canal forte sobre como as pessoas vão aprender a se comportar durante toda a vida. O discurso religioso é importantíssimo para que as crianças entendam o direito do outro de ter a fé que melhor lhes couber. O respeito a todas as religiões precisa ser inserido neste discurso, e a sociedade precisa estar atenta a esta cobrança. Não cabe mais, em 2024, pessoas serem massacradas simplesmente porque professam sua fé", destacou ela.
A CEO do Farol da Bahia também falou da luta feminina por espaço e reconhecimento: "Ser mulher no mundo empresarial é difícil porque, na cabeça dos machistas – sejam homens ou mulheres – sempre "foi alguém" que colocou a mulher ali, caso ela ocupe uma posição de destaque. A competência e o profissionalismo feminino, principalmente das mulheres pretas, dificilmente são reconhecidos sem ter que ter luta", analisou.
Já o apresentador Adriano Azevedo, sobrinho de Mãe Stella de Oxóssi, homenageou a tia e falou sobre a necessidade urgente de se lutar contra o preconceito:
"Só quem vive no terreiro sabe o quanto é difícil nosso caminho. Minha tia foi uma guerreira que lutou, não só contra o racismo religioso, mas também contra a homofobia. Eu fico orgulhoso de poder, através do Podomblé, divulgar o candomblé e as religiões de matriz, sob a ótica do ensinamento e da ancestralidade. A diáspora africana vive em nós e nós precisamos mostrar ao mundo o orgulho que o povo preto tem dela".
O apresentador também enalteceu a colega e emocionou o teatro ao se emocionar falando de seu trabalho:
"Alessandra é uma mulher branca que é antirracista, que não só atua contra o racismo mas também dá oportunidade para a divulgação da cultura negra. Apresentar o Podomblé é um orgulho enorme, e eu tenho certeza que Mãe Stella abençoa este projeto, para que ele cresça cada vez mais e leve informações valiosas sobre a nossa religião ao mundo inteiro", finalizou o obá de Xangô do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá.
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