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EXCLUSIVO: Polêmica Daniela Mercury: o que dizem os veteranos do Carnaval de Salvador? Escute áudios

O Farol da Bahia ouviu precursores do Carnaval de Salvador para entender as posições sobre a polêmica envolvendo a ordem dos trios

Por Inara Almeida , Deivide Sena
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EXCLUSIVO: Polêmica Daniela Mercury: o que dizem os veteranos do Carnaval de Salvador? Escute áudios

Foto: Reprodução/Instagram/@laurinha_arantes | Celia Santos/Reprodução | Reprodução/Instagram/@luciano_calazans

Uma polêmica envolvendo a cantora baiana Daniela Mercury e a ordem de apresentações no circuito Dodô (Barra-Ondina) tomou conta do Carnaval de Salvador 2026.

A confusão começou após a Justiça da Bahia determinar que o tradicional Bloco Crocodilo, comandado pela cantora, voltasse a abrir o desfile no circuito. Segundo a assessoria de Daniela, a ação foi movida devido ao fato de, nos últimos anos, o bloco ter desfilado em horários tardios. 

Na decisão, o juiz pontuou que o bloco possui preferência na ordem de apresentações devido aos seus 30 anos ininterruptos de atividades. O Crocodilo desfila desde 1996, ano em que o circuito Barra-Ondina foi inaugurado oficialmente.

Conhecida como a Rainha do Axé, Daniela reivindica o posto de pioneira nos desfiles do circuito e questiona a forma como a ordem de apresentações é decidida. "A gente tem uma história linda, muito clara, toda noticiada, documentada. […] A única que ficou de lá até aqui desfilando, 30 anos, apesar de tudo, fui eu! Então, por que a turma está antes de mim? Não consigo entender. De onde surgiram?", pontuou a cantora, em coletiva.

No entanto, no sábado (14), dia anterior ao desfile da cantora, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) determinou a suspensão da medida favorável à Daniela, após um recurso apresentado por blocos tradicionais, que alegaram prejuízos logísticos, comerciais e operacionais com a alteração da ordem às vésperas da festa.

Com isso, o Crocodilo foi o sexto a desfilar no domingo (15), ficando atrás de blocos como Olodum e Camaleão, e o nono na segunda-feira (16). A ordem seguida foi definida pelo Conselho Municipal do Carnaval e Outras Festas Populares (Comcar), que, segundo o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), considerou fatores como história e tempo de existência do bloco.

Para o prefeito, a decisão favorável ao Crocodilo gerava instabilidade no Carnaval de Salvador. "E eu acho isso muito ruim, gera instabilidade, gera uma disputa entre os blocos e acho que ninguém ganha com isso. Tem que ter um Carnaval, todos os artistas unidos", afirmou.

O que dizem os precursores?

O Farol da Bahia buscou ouvir a opinião de personalidades que ajudaram a construir o Carnaval de Salvador e a Axé Music. A cantora Laurinha Arantes, primeira mulher a comandar um bloco em cima de um trio elétrico no Carnaval de Salvador, em 1983, apontou o empresário Alberto Trípodi como criador do circuito Dodô.

"Daniela precisa dar uma acalmada. Eu não estou aqui criticando, mas acontece que quem viveu a história do carnaval desde o início sabe. Eu cheguei em 82, então eu sou a testemunha viva, né, de todo o processo, eu sempre fui muito envolvida. Por exemplo, o percurso Barra-Ondina foi criado por um carnavalesco chamado Alberto Trípode, pai de Viviane Trípode, em 1992", afirmou Laurinha.

No entanto, a cantora defende que deve haver uma alternância na ordem de apresentações e criticou a falta de apoio do poder público. "Quanto à fila, eu sou a favor da alternância… não peço mais esmola ao poder público, se quiserem me contratar, me contratem, que eu não vou ficar mendigando para cantar em trio, para neguinho me botar para cantar 3 horas da manhã no final da fila", reforçou.

Já o músico e maestro Luciano Calazans defende que todos os artistas devem ter a sua chance de "brilhar" no Carnaval de Salvador. Além disso, ele afirma que a disputa pelos primeiros lugares no desfile segrega o movimento da Axé Music. "Esse tipo de situação só segrega ainda mais o movimento, enfraquece, inclusive, o movimento que era para estar forte, um movimento que já está por um fio", declarou.

Um novo circuito

O músico Manno Góes, idealizador e fundador da banda de axé Jammil, pontua a criação de um novo circuito para o Carnaval de Salvador como uma solução para o embate relacionado ao posicionamento dos blocos. Atualmente, a capital baiana possuí três circuitos: Dodô, Osmar (Campo Grande) e Batatinha (Pelourinho).

"A gente sabe que o Carnaval já está precisando ter um circuito novo, mais estendido, para que comporte todos esses. Então, a partir do momento em que a gente tiver esse novo circuito, a gente vai conseguir conciliar todos esses anseios e essa discussão acaba sendo menor", pontuou.

"Acho que há uma discussão maior por detrás disso. Porque não é que as pessoas querem estar na frente somente, mas está muito apertado, tem muita gente. O Carnaval de Salvador ganhou uma proporção muito grande, a população aumentou, os artistas, os trios elétricos. Então, a gente precisa ressignificar, porque o Carnaval é dinâmico e todo ano tem novas mudanças, e eu creio que o novo circuito possa contribuir muito para essa dinâmica do Carnaval fluir melhor", complementou.

A criação de um novo circuito é amplamente debatida. No entanto, o prefeito Bruno Reis descartou oficialmente essa possibilidade. "Eu tenho aí mais dois carnavais (2027/2028) e não vejo essa necessidade para estes dois anos, até porque, se a gente computar a média de foliões que aumentam ano a ano, acho que estes três circuitos principais têm capacidade de atender", disse o gestor, nesta quarta-feira (18).

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