Presidente alemão afirma que EUA estão destruindo ordem mundial e menciona Brasil como país para proteger estabilidade
Frank-Walter Steinmeier fez críticas a política estrangeira do governo Trump

Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, afirmou que os Estados Unidos de Donald Trump estão destruindo a ordem mundial e solicitou que o mundo não se torne um "covil de ladrões em que os poderosos tomam tudo o que querem".
Steinmeier realizou várias críticas à política externa do governo Trump durante comentário em um simpósio na Alemanha na quarta-feira (7). As críticas aconteceram depois da deposição do ditador venezuelano Nicolás Maduro por meio da operação militar dos EUA e diante de uma escalada de tensões entre o governo Trump e a Europa em decorrência da Groenlândia, ilha que pertence à Dinamarca que o presidente norte-americano quer incorporar aos EUA.
“Hoje, há a quebra de valores por parte do nosso parceiro mais importante, os EUA, que ajudaram a construir essa ordem mundial (...) Trata-se de impedir que o mundo se transforme em um covil de ladrões, onde os mais inescrupulosos tomam tudo o que querem, onde regiões ou países inteiros são tratados como propriedade de algumas poucas grandes potências”, disse Steinmeier.
O presidente alemão afirmou também que a democracia global é atacada como nunca antes e mencionou o Brasil ao afirmar que é necessária "intervenção internacional ativa em situações de ameaça". "Países como Brasil e Índia precisam ser convencidos a proteger a ordem mundial", disse.
O comentário de Steinmeier foi considerada como incomum, pois se trata de assuntos internos na Alemanha e assuntos externos ficam a cargo do chanceler Friedrich Merz. Ele mencionou a anexação da Crimeia pela Rússia e a invasão em larga escala da Ucrânia como um ponto de inflexão histórico e afirmou que o comportamento dos Estados Unidos representa uma segunda ruptura histórica.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o governo deverá seguir "administrando" a Venezuela e extraindo petróleo das reservas do país latino-americano "por muitos anos".
Trump realizou a declaração em uma entrevista ao jornal "The New York Times", que foi publicada nesta quinta-feira (8). Ele afirmou ainda que, por enquanto, o governo interino da Venezuela, assumido pela vice-presidente de Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez, "está nos dando tudo o que consideramos necessário".
"Só o tempo vai dizer", afirmou o presidente norte-americano, depois de ser questionado sobre quantos anos a ingerência de Washington sobre Caracas irá durar.
“Mas vamos reconstrur a Venezuela de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo e vamos importar petróleo. Vamos baixar os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente disso", disse Trump na entrevista.
Trump expulsa organizações
Uma proclamação retirando os Estados Unidos de 35 organizações não pertencentes às Nações Unidas e de 31 entidades da ONU.
De acordo com o comunicado da Casa Branca, a saída dos organismos acontece pois, de acordo com Washington, eles "operam contrariamente aos interesses nacionais dos EUA".
Boa parte dos alvos são agências, comissões e painéis consultivos ligados à ONU que se concentram em questões climáticas, trabalhistas e outras que o governo americano classificou como destinadas para iniciativas de diversidade e "woke".
O governo Trump já havia suspendido o apoio a agências como a Organização Mundial da Saúde, a UNRWA (Agência das Nações Unidas para a Refugiados da Palestina), o Conselho de Direitos Humanos da ONU e a UNESCO (Agência das Nações Unidas para a Cultura)
O republicanos passou a adotar uma abordagem mais seletiva para o pagamento das contribuições à ONU, escolhendo quais operações e agências considera alinhadas à agenda de Trump e quais não servem mais aos interesses dos EUA.
“Acho que o que estamos vendo é a cristalização da abordagem dos EUA ao multilateralismo, que é ‘ou do meu jeito ou nada feito’”, afirma Daniel Forti, analista sênior da ONU no International Crisis Group. “É uma visão muito clara de querer cooperação internacional nos termos de Washington.”


