Procurador da Lava Jato tentou pressionar ex-assessor de Palocci após tentativa de suicídio
Branislav Kontic foi intimidade por um procurador identificado como Paulo
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Foto: Reprodução/ Conjur
Um procurador, identificado apenas como Paulo, da Lava Jato, tentou pressionar o ex-assessor de Antonio Palocci, Branislav Kontic, após tentativa de suicídio. A informações foram reveladas por meio de um novo diálogo entre procuradores enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na segunda-feira (8).
O diálogo diz que 17 dias depois de Brani, como é conhecido o ex-assessor, tentar tirar a própria vida dentro da Superintendência da Polícia Federal no Paraná, o procurador Paulo começou a o intimidar o investigado.
Brani estava preso preventivamente por ordem do então juiz Sergio Moro, e era pressionado para fechar o acordo de delação premiada. Mais tarde, Brani acabou sendo absolvido por Moro por falta de provas, cerca de um ano depois.
Mas mesmo com a absolvição, Moro e o Tribunal Regional Federal da 4ª Região mantiveram medidas cautelares aplicadas contra Brani (confinamento e tornozeleira eletrônica) sob a justificativa de que eram necessárias por causa de uma outra ação penal em que o ex-assessor estava envolvido.
Confira abaixo o material obtido pela Conjur, que manteve as abreviações e eventuais erros de digitação e ortografia dos diálogos.
"Paulo, vc ou o Deltan poderiam ver com a PGR se eles nos autorizam processar o BRANI (e depois o JUSCELINO DOURADO) por ORCRIM [organização criminosa]. A questão é a seguinte: PALOCCI é investigado no STF por ORCRIM, mas BRANI e JUSCELINO NÃO", diz o procurador.
Em seguida, ele narra o plano: "Para imputar ORCRIM, teria que narrar a conduta do PALOCCI na ORCRIM, mas não imputar (o que causaria um mal estar com a PGR)... de duas uma: ou eles acrescentam os dois lá ou nos deixam denunciar aqui… quero botar pressão no Brani!!!! cara vagabundo!!!".
Em 3 de maio de 2018, o chefe da força-tarefa da "lava jato", Deltan Dallagnol, afirma em grupo de mensagens que é preciso conversar com Moro sobre eventual acordo de delação com Palocci — que acabou sendo fechado pela Polícia Federal, e não pelo Ministério Público Federal. "Após analisarmos Palocci, temos que falar pro Moro, que não vai querer a pena aliviada num caso dele sem justificativa e tem ponte com TRF".
Um procurador não identificado responde: "Ele [Moro] me disse que você [Dallagnol] desconversou a respeito". E prossegue: "Segundo a Laura [Tessler, procuradora], o Moro quer um acordo com o Palocci pela mesma razão do Leo Pinheiro".
Advogados de Lula defendem que Moro usou a delação de Léo Pinheiro para o condená-lo de forma "ilegítima e ilegal" no caso do tríplex no Guarujá. Na época, Lula foi condenado a nove anos e seis meses de reclusão. pena foi aumentada pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região para 12 anos e um mês de prisão. E depois reduzida para oito anos e dez meses pela 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça.