Revista detalha crescimento patrimonial de primo de Davi Alcolumbre após ascensão política do senador
Reportagem destaca relação próxima, negócios em comum e movimentações financeiras envolvendo o parlamentar

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O senador Davi Alcolumbre (UB) descende de uma família de judeus marroquinos que chegou ao Brasil no início do século XX. De acordo com reportagem da revista piauí, os avós do parlamentar mantinham uma mercearia em Macapá, mas relatórios do antigo SNI indicam que a família também teria acumulado riqueza com a extração ilegal de ouro em garimpos às margens do Rio Jari, na divisa entre Pará e Amapá, além do contrabando do metal para a Venezuela e os Estados Unidos.
Ainda segundo a piauí, nos anos 1980, os tios Alberto e Salomão, donos de uma rede de postos de combustíveis, também teriam atuado no comércio ilegal de ouro, conforme relatório da Polícia Federal obtido pela revista.
No Amapá, a família Alcolumbre tem 35 empresas ativas, com capital social estimado em R$ 35 milhões. O império inclui 16 postos de combustíveis, quatro emissoras de rádio e televisão, uma construtora, uma metalúrgica, quatro empresas agropecuárias, quatro imobiliárias, lojas de variedades, um supermercado, um terminal portuário, um factoring e até um cemitério.
Entre os familiares, Alcolumbre mantém proximidade com o primo Pierre, filho do tio Alberto, descrito na reportagem como um dos principais parceiros, já que os compartilham relações nos negócios.
Aos 18 anos, em 1983, Pierre abriu sua primeira empresa, um supermercado em Macapá. Seis anos mais tarde, foi escolhido presidente da Associação Comercial e Industrial do Amapá, a maior entidade empresarial do estado. Em 1990, tornou-se sócio de Júlia, mãe de Alcolumbre, em dois imóveis rurais em Macapá. No ano seguinte, deixou a Associação Comercial para comandar a Fundação Mariinha Barcellos, apelido da então primeira-dama do estado. Na época, a entidade assistencial foi alvo de investigação de uma CPI na Assembleia Legislativa por desvios de dinheiro público.
Segundo a reportagem, o patrimônio de Pierre explodiu após a eleição de Alcolumbre como deputado federal, em 2002. Das 19 empresas registradas em nome dele e de seus filhos, 14 foram abertas a partir de 2003, somando capital social de R$ 19 milhões. Entre os bens, estão propriedades rurais que chegam a quase 10 mil hectares, incluindo áreas sobrepostas a assentamento rural do Incra e a um quilombo. Uma parte dessas terras foi adquirida por Pierre com depósitos em dinheiro vivo realizados por uma beneficiária do auxílio emergencial durante a pandemia da Covid.
Ao longo dos anos, o patrimônio declarado por Alcolumbre apresentou pouca variação ao longo dos anos. Em 2014, o senador informou à Justiça Eleitoral bens de R$ 1,13 milhão, em valores corrigidos. Em 2018, houve uma pequena variação para cima, totalizando R$ 1,16 milhão. No entanto, em 2022, oscilou para baixo, caindo para R$ 1,15 milhão.
A piauí também relata que, após a eleição de 2018, enquanto Alcolumbre foi derrotado para o governo do Amapá, Pierre adquiriu seis salas comerciais no edifício The Office Araguary, em Macapá, pagando R$ 700 mil à vista e em dinheiro vivo. Em uma das salas funciona o escritório político de Alcolumbre, onde também atua o ex-diretor da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Silva Lemos, indicado pelo senador e citado em investigação sobre aplicação de recursos do órgão em ativos do Banco Master.
De acordo com a revista, sete pessoas ouvidas sob anonimato afirmam que Pierre atuaria, na prática, em nome de Alcolumbre em negócios. Questionado sobre sua relação com o primo, o senador disse que a pergunta lhe atribui “responsabilidade por atos e negócios privados de terceiro, com base em associações especulativas”. Afirmou, ainda que, “responsabilidade não se transfere por vínculo familiar” e concluiu que não lhe cabe “responder por aquisições patrimoniais ou recursos de terceiros”. O senador não respondeu com que frequência usa o escritório de Pierre.


