Sondagem para ponte Salvador-Itaparica é finalizada e alcança 200 metros de profundidade
Próxima etapa será a finalização do projeto de fundações da estrutura e a mobilização dos canteiros de obras, segundo o governo da Bahia

Foto: Matheus Landim/GOVBA
A sondagem geotécnica para construção da ponte Salvador-Itaparica foi concluída nesta semana após 12 meses de trabalho de técnicos da Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinfra) e da concessionária responsável pela construção do equipamento.
De acordo com resultados da operação, a investigação do solo na Baía de Todos-os-Santos é a primeira do Brasil a chegar a 200 metros de profundidade para coletar material intacto, permitindo definir com precisão as fundações da estrutura.
Com a conclusão desta etapa, o próximo passo será a finalização do projeto de fundações da estrutura e a mobilização dos canteiros de obras.
Iniciada em terra no município de Vera Cruz, a sondagem prosseguiu para as águas rasas, com até 10 metros de profundidade, e culminou nas águas profundas, no canal central, com 67 metros de lâmina d'água.
Ao todo, foram realizados 105 furos ao longo do traçado da ponte, com o material extraído em alguns pontos com profundidade de 200 metros. Inédita no país, a sondagem chegou ao equivalente a duas vezes e meia a altura do Elevador Lacerda para a coleta de amostras do solo em águas marinhas. As amostras foram analisadas em laboratório de tecnologia avançada instalado no canteiro de apoio.
No sentido Itaparica-Salvador, foram encontrados dois quilômetros de material mais jovem, com uma fina camada de solo sedimentar e, logo em seguida, um material rochoso de boa qualidade. Nos quilômetros seguintes há um comportamento diferente, com uma camada longa de material sedimentar e depois um material rochoso de baixa resistência intercalado com finas camadas de material resistente. Isso se deve à movimentação do mar e à idade geológica da BTS (66 milhões de anos no trecho próximo à Ilha de Itaparica e 241 milhões de anos no trecho próximo a Salvador)
Segundo Claudio Villas Boas, CEO da concessionária Ponte Salvador-Itaparica, foram utilizados no processo equipamentos que preservassem a qualidade das amostras do solo.
“Usamos equipamentos que vieram da China, com tecnologias que a gente não tem no Brasil e que possibilitaram uma estabilidade maior no processo de coleta das amostras, sem alteração. Ou seja, garantindo sua qualidade morfológica para que as análises fossem a melhor possível. Com isso, garantimos segurança e um projeto de engenharia preciso para construir a melhor ponte para os baianos”, detalhou.
Superintendente de planejamento e logística da Seinfra e coordenador do projeto da ponte, Mateus Dias explicou que, por meio da sondagem, foi possível obter um retrato detalhado das profundezas da Baía de Todos-os-Santos.
De acordo com ele, a operação mobilizou uma estrutura com três balsas e uma plataforma de perfuração, além da utilização de um sistema avançado de compensação de ondas, importado da China, garantindo precisão nos resultados mesmo em condições climáticas adversas. O projeto também impulsionou a economia local, com a contratação de mais de 20 empresas baianas, geração de 300 empregos diretos e um investimento total de R$ 200 milhões.