Vendas de veículos cresceram 2,1% em 2025: Anfavea revisa projeções
Produção cresceu 3,5% ao longo do ano

Vendas de veículos cresceram 2,1% em 2025 e ficam aquém das expectativas, diz Anfavea
A produção e a venda de veículos cresceram bem abaixo do esperado em 2025. Dados divulgados pela Anfavea, associação nacional dos fabricantes de veículos, mostram que no mercado interno, as vendas de autoveículos somaram 2,69 milhões de unidades, crescimento de 2,1%, número ainda abaixo do patamar registrado antes da pandemia. A Anfavea aponta como fatores limitantes os juros elevados, a alta carga tributária e sinais de desaceleração da economia.
A produção nacional fechou o ano em 2,6 milhões de veículos, alta de 3,5%. Considerando apenas os veículos leves, o crescimento foi de 4,5%, enquanto o segmento de pesados registrou retração próxima de 10%. “Esse desempenho manteve o Brasil na oitava posição entre os maiores fabricantes globais”, destacou Igor Calvet, presidente da Anfavea, onde o Farol da Bahia esteve presente.
No recorte mensal, a produção somou 219,1 mil unidades em novembro, caindo para 184 mil em dezembro, movimento considerado sazonal devido ao menor número de dias úteis no último mês do ano.
As exportações de veículos produzidos no Brasil avançaram de forma consistente em 2025. Ao todo, 528,8 mil unidades foram enviadas ao exterior, crescimento de 32,1% na comparação anual. O principal destino seguiu sendo a Argentina, impulsionada pela recuperação econômica ao longo do ano, enquanto as remessas para a Colômbia avançaram 85%, segundo dados da Anfavea.
O desempenho dos veículos eletrificados foi outro destaque de 2025. As vendas desse segmento superaram 260 mil unidades, crescimento de 60%, elevando a participação para 14,9% do mercado de veículos novos no país. Apenas em dezembro, os modelos híbridos plug-in registraram cerca de 5 mil unidades vendidas, reforçando a aceleração da eletrificação no mercado brasileiro.
Apesar desse avanço, nem todos os segmentos acompanharam o ritmo. O mercado de caminhões apresentou retração expressiva, com queda de até 20,5% nas vendas de modelos pesados. No varejo, as vendas totais recuaram 7%, enquanto o canal de locadoras teve redução de 3,8%. Em contrapartida, os veículos híbridos cresceram 60,8% ao longo do ano.
Mesmo diante do aumento das tarifas de importação, o volume de veículos importados seguiu em alta. Em 2025, o Brasil importou 498 mil unidades. Os modelos de origem chinesa responderam por 37% desse total, consolidando um crescimento contínuo desde 2022. “As importações vindas da China atingiram um patamar recorde”, afirmou Igor Calvet.
A entidade voltou a criticar a política de cotas para veículos montados a partir de kits SKD e CKD com redução tributária. Em 2025, o governo federal estabeleceu um limite de US$ 438 milhões, equivalente a cerca de 30 mil veículos, e a associação defende o encerramento do mecanismo. Segundo Calvet, a continuidade desse modelo compromete a cadeia produtiva nacional. “Os kits chegam praticamente prontos, afetando desde a compra de aço até os processos de estamparia e soldagem. Estimamos perdas de R$ 103 bilhões, com risco para 69 mil empregos nas montadoras e 227 mil no setor de autopeças”, afirmou.


