Vorcaro cita Ibaneis à PF sobre compra do Master e oposição pede impeachment de governador
A partir da divulgação sobre a citação, o PSB e o Cidadania decidiram apresentar, conjuntamente, um pedido de impeachment contra o governador na Câmara Legislativa do Distrito Federal

Foto: Reprodução e Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
JOSÉ MARQUES E THAÍSA OLIVEIRA - O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, disse à Polícia Federal que conversou mais de uma vez com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a venda da companhia ao BRB (Banco de Brasília).
A afirmação foi feita em depoimento em 30 de dezembro do ano passado, no STF (Supremo Tribunal Federal), no inquérito sob suspeitas de irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo banco estatal. A menção ao governador foi divulgada em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela reportagem.
No depoimento, o ex-banqueiro afirmou que tratou do assunto da venda com o governador de forma institucional, com participação de outras pessoas. Além disso, disse que Ibaneis já esteve na casa dele e que ele também já foi à residência do governador.
A partir da divulgação sobre a citação, o PSB e o Cidadania decidiram apresentar, conjuntamente, um pedido de impeachment contra o governador na Câmara Legislativa do Distrito Federal. O PSOL afirma que também vai protocolar um pedido de afastamento.
Ibaneis foi procurado, por meio de sua assessoria de imprensa, mas não quis se pronunciar.
No primeiro depoimento, além de responder a perguntas da delegada da PF Janaina Palazzo e do Ministério Público Federal, Vorcaro também foi interrogado com perguntas elaboradas pelo gabinete do ministro Dias Toffoli, do STF.
Foram feitas a Vorcaro ao menos 80 perguntas elaboradas pelo ministro em depoimento que durou quase três horas.
O processo é sigiloso. Desde o começo de dezembro, diligências e medidas ligadas à investigação sobre o Master e Vorcaro têm que passar pelo crivo de Toffoli, por decisão do próprio magistrado.
A investigação sobre a tentativa de venda do Master apontou que, antes mesmo da formalização do negócio, o banco teria forjado e vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado para o BRB R$ 6,7 bilhões em contratos falsos e R$ 5,5 bilhões em prêmios, o valor que supostamente a carteira valeria, mais um bônus.
O escândalo do Master levou à liquidação do banco, anunciada em 18 novembro.


