Neste artigo, elenco alguns temas que entendo que deveriam ser objeto de reflexão por parte dos Conselhos. Ele é fruto de uma breve apresentação que fiz a um Conselho na condição de pesquisador acadêmico.
- Desenvolvimento e retenção de pessoas
Com o apagão de mão de obra e com a nova geração entrando no mercado de trabalho, é hora de ajustar os valores e as práticas das empresas para poder abarcar essa nova geração. Sem essa flexibilidade e sem criar práticas que permitam aproveitar o melhor dessa nova geração, a empresa tem sua sustentabilidade comprometida. A sua empresa não vai conseguir mudar a nova geração, portanto há que se adaptar e, se necessário, buscar profissionais experimentados em outros setores de atuação, mas que tenham as competências essenciais. Por exemplo, um gerente de projetos com experiência em TI pode ser muito útil em empresas de serviços de engenharia. Contratar com base nas competências e avaliar se estas podem ser desenvolvidas nos profissionais que podem estar iniciando ou mudando de carreira.
- Processo Decisório
O processo decisório do Conselho deve estar vacinado contra os vieses comportamentais, principalmente os vieses da autoridade e da confirmação. O primeiro é crítico quando há um conselheiro muito eloquente e com reconhecida reputação pelos demais. Corre-se o risco de que a opinião desse conselheiro prevaleça sobre as dos demais, sem que haja uma discussão crítica sobre os diferentes pontos de vistas. Já no segundo viés, é necessário que haja dados suficientes, e que a formulação de hipóteses razoavelmente justificáveis seja seguida dos dados para confirmar ou refutar essas hipóteses.
- Excesso de ativismo dos conselheiros
Há que se tomar cuidado para que alguns conselheiros não se percam entupindo a agenda dos diretores com questionamentos que podem ser configurados como excessos. Deve-se priorizar os momentos de interação para que se otimize a agenda dos executivos. Uma boa prática é limitar a quantidade de comitês em que estes conselheiros participam.
- Reforma Tributária – impactos no ecossistema
A Reforma Tributária e os impactados no seu ecossistema, como fornecedores de insumos e principalmente os fornecedores de pequeno porte, poderão sofrer consequências negativas do sistema split payment. Isso vale também para os colaboradores contratados no regime pessoa jurídica (PJ) que poderão ter que mudar de regime de tributação. Além disso, faz-se necessário avaliar os potenciais impactos na formulação do preço de venda e dos custos.
- Riscos do Uso de IA
O uso indiscriminado da Inteligência Artificial pelos colaboradores, com cada um usando de forma personalizada as próprias ferramentas, pode gerar vazamento de dados de projetos e de clientes. Faz sentido adotar as ferramentas corporativas de IA para uso pelos colaboradores, visando a proteção dos dados sensíveis das empresas, projetos e clientes.
Cada empresa deve olhar as características específicas do que está acontecendo no seu ambiente para poder mapear quais temas são importantes para serem discutidos pelo Conselho.
José Carlos Oyadomari (PhD.) Professor do Insper e Professor Pesquisador do Mackenzie. Sócio da True Port Advisors. Conselheiro Consultivo da Consulcamp. Co-autor do livro Contabilidade Gerencial (Gen Atlas). . Instagram: @prof.oyadomari https://www.linkedin.com/in/jcoyadomari/ site: oyadomari.pro.br



