CUBA LIBRE

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CUBA LIBRE

É difícil encontrar entre os homens e mulheres em idade avançada quem não deu um gole numa “cuba libre”, a mistura bem dosada de um bom Rum Anejo cubano, com uma Coca-Cola americana, daquelas da garrafa pequena.  Igualmente, a simpatia pela revolução dos barbudos da Sierra Maestra, liderados por Fidel Castro, espalhou-se e invadiu corações e mentes pelo mundo inteiro. Fotos de Che Guevara estiveram estampadas em milhões de camisetas, exprimindo um culto consentido à coragem e ao herói romântico e determinado.

Esta imagem tornou-se tão forte e poderosa que o regime instaurado na ilha, desde o período soviético até nossos dias, sob a influência da vizinha Venezuela, praticou toda sorte de crimes políticos, entre fuzilamentos, encarceramentos, eliminação das liberdades fundamentais, culminando com o crescente estado de necessidades a que está submetida a sua população de onze milhões de habitantes, privada, há muitas décadas, de bens essenciais à sua sobrevivência alimentar, ás liberdades e aos recursos tecnológicos da sociedade contemporânea.

Visitei Cuba muitas vezes e por motivações diferentes. Vou me referi, brevemente, nestas poucas linhas, a uma das vezes que lá estive a convite do Presidente Fidel Castro. Chefiando uma pequena delegação parlamentar, tive a oportunidade de dizer ao chamado “Comandante” Fidel que, sob a minha liderança na condição de presidente da Comissão de Economia da Câmara dos Deputados e com a anuência do nosso Governo Federal, à época, o Brasil rejeitou a decisão do Senado dos Estados Unidos de proibir que empresas americanas realizassem comércio com Cuba. Uma decisão notoriamente extraterritorial, em prejuízo do Brasil e consequentemente também de Cuba.

Verifiquei, já naquela época, o quanto padecia o povo cubano em razão das insuportáveis restrições à sua sobrevivência e, sobretudo, a subordinação à um regime repressivo que lhe sonegava seus direitos políticos e quaisquer tipos de liberdades necessárias à uma nação civilizada, como era Cuba, com suas tradições e história.

As condições atuais de Cuba, não apenas pelos efeitos nocivos do embargo dos Estados a Unidos, mas, principalmente por seu atraso tecnológico, isolamento em relação ao mundo, infraestrutura destruída, produção agrícola e industrial precárias e a profunda dependência  energética, combinada com a ausência de capital humano necessário ao desenvolvimento econômico e social encontram-se em fase terminal e sua continuidade será um crime irreparável.

Cuba, lastimavelmente, é um deleite para o esquerdismo infantil e degenerado, que vê na ilha de Fidel um retrato de suas ilusões do passado e sua cumplicidade com os crimes ali cometidos pela Ditadura reinante. Divertem-se com o “libreto” da fome e da vergonha, riem das torturas e assassinatos, se jactam de seu lixo espalhados por suas ruas, riem dos edifícios seculares em ruínas, acham graça nos automóveis antigos circulando na buraqueira das suas avenidas precárias, das suas putas oferecerem o corpo por uma ninharia qualquer, das prateleiras vazias, do “prego”, como se diziam antigamente, da escuridão a que estão condenados, do mercado negro e de seus preços exorbitantes, enfim, da miséria como um valor que distingue a ilha e sua singularidade. E ainda se orgulham em desfilar sorridentes com uma camiseta de Che Guevara!

Desse modo, “a verdade não tem defesa contra um idiota decidido a crer numa mentira”, na sábia advertência de Mark Twain, o famoso escritor norte-americano.

Consumada a prisão do ditador venezuelano e sua condução para os Estados Unidos, onde será julgado pelos crimes cometidos em seu país, Cuba viu-se novamente órfão da aliança que lhe sustentava, embora de forma precária, num escambo através do qual Cuba fornecia proteção militar ao ditador e assistência médica à população em troca do petróleo que abastecia as necessidades energéticas da ilha.

Privada do hidrocarboneto venezuelano e de outros países, a exemplo do México, Cuba está condenada à escuridão e  assiste impotente a crescente miséria social alastrar-se como uma praga, devorando o pouco que resta da resiliência de um povo que, há sessenta e sete anos, submete-se aos horrores de uma ditadura infame.

Mário Faustino, o esquecido poeta brasileiro, teria dito se tivesse vivido a época dessa tragédia: “não conseguiu firmar o nobre pacto entre o cosmos sangrento e a alma pura.... era tanta violência, mas tanta ternura”. A ternura real e imbatível de um grande povo!

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