Vídeo: Adriano Azevedo relata experiência no Portal do Não Retorno e fala sobre memória e ancestralidade
Apresentador do Podomblé compartilha vivência no Benin e destaca o significado histórico do retorno simbólico de descendentes de africanos escravizados

Foto: FB Comunicação
O apresentador do podcast Podomblé, Adriano Azevedo, falou sobre o Portal do Não Retorno, localizado no Benin, durante episódio exibido na segunda-feira (26). O local é um dos principais marcos da memória da escravidão africana e da diáspora forçada para as Américas.
Ao responder à jornalista Ale Bastos, Adriano classificou o portal como uma história ao mesmo tempo impactante e dolorosa. Segundo ele, o espaço simboliza o ponto final da liberdade de milhares de africanos escravizados, que atravessaram o local rumo ao embarque forçado para outros continentes.
Durante o relato, o apresentador destacou a simbologia da chamada Árvore do Esquecimento. De acordo com a tradição histórica, antes de atravessarem o portal, os escravizados eram obrigados a dar voltas ao redor da árvore como forma de romper laços com sua identidade, memória e origem.
Adriano explicou que o percurso visual do monumento reforça essa narrativa. As imagens mostram os escravizados caminhando em direção ao mar, de costas para sua terra natal, enquanto, à frente do portal, aparecem de frente, simbolizando a travessia sem retorno.
Na experiência pessoal vivida no Benin, o apresentador afirmou ter feito o caminho inverso, como um “retornado”. Ele descreveu o gesto como um refluxo histórico, representando simbolicamente aqueles que conseguiram retornar à África após a escravidão.
O episódio também abordou a presença dos chamados agudais, descendentes de brasileiros que retornaram ao Benin, especialmente à região de Porto Novo. Segundo Adriano, esse grupo preserva traços culturais, religiosos e arquitetônicos herdados do Brasil, marcando a complexa relação entre África e diáspora.
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