Agronegócio do Brasil causa 1 em cada 3 conflitos da Amazônia internacional, diz Atlas
Disputas pela Amazônia envolvem indígenas, comunidades tradicionais e quilombolas

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A disputa de territórios envolvendo o agronegócio é responsável por um a cada três conflitos da Amazônia internacional, que inclui Brasil, Peru, Bolívia e Colômbia. As informações são do Atlas de Conflitos Socioterritoriais Pan-Amazônico.
O levantamento envolveu oito instituições, sendo três no Brasil: a CPT (Comissão Pastoral da Terra), o Grupo de Pesquisa e Extensão sobre Terra e Território na Amazônia da Unifap (Universidade Federal do Amapá), e o Observatório da Democracia, Direitos Humanos e Políticas Públicas. E apontou que a região teve 1.308 conflitos ativos entre os anos de 2017 e 2018, com a participação de mais de 167 mil famílias amazônicas.
Segundo as instituições, os confrontos seguem até hoje. Desse total de 167 mil, pelo menos 444 envolvem conflitos de povos com o agronegócio no Brasil.
Essas disputas pela Amazônia brasileira envolvem em sua maioria indígenas, comunidades tradicionais e quilombolas, com 528 casos registrados. Os demais alvos são os sem-terra fora dos seus territórios ou em situação de acampados ou despejados.
O documento do Atlas também relembrou o caso no período do massacre de Pau D'Arco (PA), onde 10 trabalhadores rurais foram mortos por policiais na fazenda Santa Lúcia, em 2017. A Justiça determinou que os policiais envolvidos devem ir a júri popular, no entanto, não há data para julgamento.
Segundo a CPT, vários fatores impulsionam os problemas no lado do Brasil na Amazônia. "A falta de reconhecimento dos territórios tradicionais dos indígenas, ribeirinhos, seringueiros, quilombolas prejudica muito. E também há muitos pequenos posseiros com décadas de ocupação que são expulsos de suas terras", afirma Josep Iborra Plans, membro da equipe de Articulação da Amazônia da CPT.
"Uma situação clássica dos territórios em conflito é: sofreu invasões com objetivo de grilagem de terras. A especulação territorial também existe: se ganha muito mais dinheiro ocupando, desmatando e especulando com terras do que criando bois. Por mais que a carne e a soja são os que fazem subir os preços da terra, pois a demanda fundiária de terras agriculturáveis provoca a correria para se apossar e desmatar as terras amazônicas", explica.