ANTT investigará suspensão de obra da Ferrovia Oeste-Leste na Bahia; 70 funcionários já foram demitidos
Atividades foram interrompidas após empresas romperem contrato

Foto: Divulgação/BAMIN
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) vai investigar um possível descumprimento contratual na suspensão das obras da primeira etapa da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), entre Caetité e Ilhéus, na Bahia. A BAMIN, responsável pela construção, anunciou a paralisação das atividades na terça-feira (1º), com 75% do projeto concluído.
Segundo a companhia, o contrato com a construtora Prumo Engenharia foi "desmobilizado" na segunda-feira (31), após um investimento de R$ 784 milhões.
"A ANTT acompanha de perto a execução físico-financeira do projeto e o cumprimento das obrigações contratuais. Em fevereiro, a agência notificou a concessionária sobre o desempenho abaixo do esperado no andamento das obras. Agora, um procedimento preliminar será aberto para apurar possível descumprimento contratual", informou o órgão.
•Obras da Ferrovia Oeste-Leste encontram-se na terceira fase
O trecho 1 da Fiol foi a primeira obra anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em julho de 2023, e deveria servir para o escoamento de minério de ferro e grãos.
O projeto previa 537 quilômetros de extensão, passando por 19 municípios baianos. Na época, a BAMIN estimava concluir essa etapa até 2027, mas Lula pediu celeridade para que a entrega ocorresse em 2026, ano eleitoral.
Funcionários demitidos
Uma assembleia geral foi realizada nesta quarta-feira (2) em frente ao canteiro de obras de Uruçuca, no sul da Bahia. Durante o encontro, representantes sindicais informaram aos trabalhadores que o processo de demissão deve ser concluído até terça-feira (8) e que os desligamentos ocorrerão de forma gradual.
Só nesta quarta, cerca de 70 funcionários devem ser dispensados. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada e Montagem Industrial do Estado da Bahia (Sintepav), a expectativa é que aproximadamente 300 trabalhadores sejam demitidos.
A BAMIN não informou o número exato de cortes, mas afirmou que a decisão deve afetar cerca de 350 profissionais da equipe terceirizada contratada para a fase inicial da ferrovia.