Caso Vitória Regina: vídeo divulgado pela polícia mostra confissão de suspeito; defesa fala em coação
Maicol Sales dos Santos afirma ter tido envolvido amoroso com a vítima e diz que agiu sozinho; advogados pedem anulação do depoimento

Foto: Reprodução
A Polícia Civil divulgou um dos vídeos anexados ao processo do depoimento de Maicol Sales dos Santos, que confessou ter matado a jovem de 17 anos, Vitória Regina de Souza. O crime aconteceu em Cajamar (SP).
Na gravação, feita por investigadores na Delegacia de Cajamar, Maicol aparece de costas dentro de uma sala da delegacia. A defesa do suspeito não reconhece a legalidade da confissão e diz que o depoimento pode ter sido obtido com uso de coação.
Durante o depoimento, Maicol disse que agiu sozinho. Ele relatou que ficou com a vítima uma vez e ela ameaçava contar à esposa dele. No dia do crime, ele ofereceu uma carona para Vitória. Eles discutiram e a jovem teria agredido ele que, em resposta, a esfaqueou duas vezes. No entanto, a perícia aponta que Vitória foi morta com três ferimentos.
O relato de Maicol também diverge de evidências encontradas no veículo. Peritos não encontraram vestígios de sangue ou fios de cabelo nos bancos, apenas uma possível mancha de sangue e um cabelo no porta-malas. Maicol disse ter limpado apenas essa área e jogado a faca usada no crime em um rio.
Ele confessou ainda ter enterrado a vítima, mas o corpo dela estava sobre o solo, em local diferente do que ele indicou. "Quando eu deixei ela ficou. Ficou enterrada", disse.
A confissão foi revelada pela Polícia Civil na última segunda-feira (17). Na terça-feira, 18 de março, durante coletiva de imprensa, os delegados Fábio Cenachi e Luiz Carlos do Carmo informaram que a confissão ocorreu na madrugada, após a saída dos advogados da delegacia. A polícia alega que a defesa “abandonou” o cliente para tentar impedir o depoimento.
"À noite, ele quis confessar o crime. Nesse impasse, os advogados dele foram embora", afirmou Luiz Carlos, diretor da Polícia Civil na Grande SP.
Ainda na coletiva, a polícia afirmou que Maicol monitorava Vitória desde 2024 e apontou crime de stalking. Ele tinha cerca de 50 fotos de mulheres jovens em seu celular, todas semelhantes à vítima.
Já a defesa diz que não foi informada previamente sobre a intenção do cliente em se manifestar nesse sentido."Maicol relatou ter sido submetido a forte pressão psicológica, o que pode configurar coação. Estamos trabalhando para esclarecer todas essas inconsistências e garantir que seu direito à ampla defesa seja respeitado", afirmou o advogado Flávio Ubirajara ao portal G1.
Relembre o caso
Vitória desapareceu em Cajamar, na noite do dia 26 de fevereiro, após sair do shopping onde trabalhava para retornar à casa dos pais. Câmeras de segurança gravaram o momento em que ela deixou o local onde trabalhava e caminhou até um ponto de ônibus.
Momentos antes de desaparecer, Vitória enviou áudios para uma amiga chorando e contando que foi seguida e assediada por homens que estavam em um carro.
Ela desceu sozinha no ponto final em Ponunduva, bairro da zona rural de Cajamar, onde morava com sua família. Depois não foi mais vista.
O corpo dela foi encontrado no dia 5 de março em uma área de mata, em estágio avançado de decomposição. Segundo as autoridades, o corpo estava nu e apresentava marcas de violência.
Além de Maicol, outras três pessoas já foram apontadas como suspeitas do crime pela polícia, inclusive o próprio pai da vítima. No entanto, todas as versões foram descartadas.
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