Cientistas sugerem que há 20 mil anos a humanidade enfrentou uma epidemia de coronavírus
Estudo foi publicado na revista Current Biology

Foto: Getty Images
Um estudo publicado na revista Current Biology, na semana passada, aponta evidências de que uma epidemia de coronavírus atingiu o Leste Asiático há cerca de 20 mil anos e foi devastadora o suficiente para deixar uma marca evolutiva no DNA das pessoas vivas atualmente. A descoberta pode ter implicações negativas para a pandemia da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, caso ela não seja controlada logo por meio da vacinação.
“Isso deve nos preocupar. O que está acontecendo agora pode estar acontecendo por gerações e gerações”, disse David Enard, biólogo evolucionista da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, que liderou o estudo.
Até agora, os pesquisadores não podiam olhar muito para trás na história dessa família de patógenos. Nos últimos 20 anos, três coronavírus se adaptaram para infectar humanos e causar doenças respiratórias graves: Covid-19, Sars e Mers. Quatro outros coronavírus também podem infectar as pessoas, mas geralmente causam apenas resfriados leves.
Os cientistas não observaram diretamente esses coronavírus se tornando patógenos humanos, então eles confiaram em pistas indiretas para estimar quando os saltos entre espécies aconteceram. Os coronavírus ganham novas mutações em uma taxa aproximadamente regular e, portanto, a comparação de sua variação genética torna possível determinar quando eles divergiram de um ancestral comum. O mais recente desses coronavírus leves, denominado HCoV-HKU1, cruzou a barreira das espécies na década de 1950.
Ao longo de gerações, os vírus provocam enormes mudanças no genoma humano. Uma mutação que protege contra uma infecção viral pode muito bem significar a diferença entre a vida e a morte, e será transmitida aos descendentes. Nos últimos anos, Enard e os colegas dele pesquisaram no genoma humano esses padrões de variação genética para reconstruir a história de uma série de vírus. Quando começou a pandemia da Covid-19, ele se perguntou se os antigos coronavírus haviam deixado uma marca própria que os distinguiriam.
Para realizar a pesquisa eles compararam o DNA de milhares de pessoas em 26 populações diferentes ao redor do mundo, observando uma combinação de genes conhecidos por serem cruciais para os coronavírus, mas não para outros tipos de patógenos. Em populações do Leste Asiático, os cientistas descobriram que 42 desses genes tinham uma versão dominante.
Esse foi um forte sinal de que as pessoas no Leste Asiático se adaptaram a um antigo coronavírus. Agora, os cientistas então tentaram estimar há quanto tempo os habitantes do Leste Asiático haviam se adaptado a um coronavírus. Eles aproveitaram o fato de que, uma vez que uma versão dominante de um gene começa a ser transmitida de geração em geração, ela pode receber mutações aleatórias inofensivas.