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Covid-19: jornalista chinês que cobriu início da pandemia em Wuhan fala de censura

Li Zehua afirma que não há liberdade de imprensa no país

Por Da Redação
Ás

Covid-19: jornalista chinês que cobriu início da pandemia em Wuhan fala de censura

Foto: Reprodução/Youtube

Quando notícias de um novo vírus respiratório começaram a se espalhar por Wuhan, na China, alguns jornalistas independentes correram para a cidade a fim de descobrir mais informações. Dentre eles estava Li Zehua, ou Kcriss Li, ex-jornalista da emissora estatal CCTV. 

Despistando as autoridades que perseguiam repórteres que desafiavam a narrativa oficial, Li conseguiu chegar ao Instituto de Virologia de Wuhan, o laboratório do governo no centro das especulações sobre a origem da doença, e postou tudo online, irritando o Partido Comunista Chinês (PCC). 

Li se filmou sendo perseguido e, em 26 de fevereiro de 2020, mostrou oficiais de segurança batendo em sua porta. Seus canais ficaram bloqueados por quase dois meses até que ele reapareceu no YouTube. Em entrevista ao Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ), ele explicou o que aconteceu naquele dia.

“Eles me detiveram por cerca de 35 dias. A chamada ‘quarentena’ deveria ser de 14 dias. Fiquei em quarentena por 16 ou 17 dias [em Wuhan]. Depois disso, fui enviado para minha cidade natal [cidade de Nanchang, na província de Jiangxi] e fiquei ‘em quarentena’ novamente por 16 dias”, explicou o jornalista.

“[Postei o vídeo no YouTube sobre o que aconteceu] durante esse período. As autoridades queriam que eu os elogiasse, mas reduzi isso ao mínimo.  Depois que fui solto, um dos chefes da polícia provincial me procurou e pediu que eu postasse algo porque muitas pessoas estavam preocupadas sobre onde eu estava. Eu recusei. Eu não poderia fazer isso”, completou.
 
Ao ser questionado sobre o estado atual da liberdade de imprensa na China, Li respondeu: “Não há liberdade. Não há imprensa. Existe apenas propaganda”. “Quanto mais liberdade de mídia [e] liberdade de expressão tivéssemos, menos a doença teria se espalhado. A doença era um problema científico. Poderíamos ter removido os fatores políticos da discussão científica”, continuou.

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