Déficit nas contas públicas piora na comparação anual e vai a R$ 66,6 bi em julho
A dívida pública avançou para 77,6% do PIB

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
As contas do setor público consolidado apresentaram um déficit primário de R$ 66,6 bilhões em julho deste ano, informou o Banco Central (BC) nesta sexta-feira (29).
Houve piora na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando foi registrado um saldo negativo de R$ 21,3 bilhões. Esse também foi o pior resultado, para julho, desde 2020 (auge da pandemia da Covid, com gastos extraordinários do governo), mês em que houve um déficit de R$ 81,1 bilhões. Os valores não foram ajustados pela inflação.
Nesta quinta-feira (28), o Tesouro Nacional explicou que o alto déficit registrado nas contas do governo em julho está relacionado, entre outros fatores, com a concentração no pagamento de despesas judiciais, que somaram R$ 35,6 bilhões no mês passado. Em 2024, por exemplo, os valores dos precatórios foram pagos em fevereiro.
Veja abaixo o desempenho que levou ao déficit das contas em julho deste ano:
- governo federal registrou saldo negativo de R$ 56,4 bilhões;
- estados e municípios tiveram saldo deficitário de R$ 8,1 bilhões;
- empresas estatais apresentaram déficit de R$ 2,05 bilhões.
No acumulado dos sete primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas do governo registraram um déficit primário de R$ 44,5 bilhões — o equivalente a 0,61% do Produto Interno Bruto (PIB).
Com isso, houve uma melhora na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi registrado um saldo negativo de R$ 64,7 bilhões (0,97% do PIB).
No caso somente do governo federal, o resultado ficou negativo em R$ 68,8 bilhões na parcial deste ano, informou o BC, contra um déficit de R$ 79,3 bilhões nos sete primeiros meses de 2024.
Dívida pública
A dívida do setor público consolidado registrou alta de um ponto percentual em julho, atingindo 77,6% do PIB — o equivalente a R$ 9,6 trilhões.
No acumulado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ou seja, em pouco mais de dois anos e meio, a dívida já avançou 5,9 pontos percentuais. A dívida atingiu esse patamar no formato de cálculo do governo brasileiro.