Deputado federal réu por violência doméstica vai a evento em Delegacia de Defesa da Mulher
Carlos Alberto da Cunha (PP) participou de reinauguração da delegacia

Foto: Reprodução / Redes Sociais
O deputado federal Carlos Alberto da Cunha (PP), réu por violência contra a mulher, participou da reinauguração da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), em São Paulo.
A presença do deputado foi divulgada em suas próprias redes sociais, gerando críticas de entidades que atuam na defesa de mulheres vítimas de violência.
Delegado Da Cunha, como se apresenta, é réu por agredir sua companheira na época, a nutricionista Betina Grusiecki em outubro de 2023, em Santos, no litoral de São Paulo. Ela acusa o deputado de bater sua cabeça na parede, tentar enforcá-la até desmaiar e efetuar ameaças de morte, durante uma discussão no apartamento onde moravam. O vídeo do episódio, gravado por Betina, foi divulgado em 2024.
Nas imagens, ele diz: "Pode parar, senão vou te matar aqui". Betina então questiona se ele de fato vai matá-la, e ele diz a palavra "matar" repetidas vezes.
Em outro momento, Betina diz: "Me solta. Chama a polícia, sai". O deputado então responde: "Sai, sua vaca. Vou te encher tua cara de tiro".
Ele responde em liberdade por lesão corporal, ameaça, dano e violência psicológica.
Samira Bueno, diretora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), afirmou ao g1 que é "um escárnio" que o governo permita que um réu por violência contra a mulher reinaugure uma unidade de atendimento à mulheres vítimas de violência.
Já Sueli Amoedo, advogada do Projeto Justiceiras, afirmou que a presença dele demonstra a despreocupação do Estado com a vida das mulheres. Ela carcteriza o gesto como um "retrocesso".
A advogada de Betina, Maria Gabriela Manssur, afirmou que as medidas protetivas contra o deputado seguem em vigor e que o processo tramita nas fases finais, faltando somente a sentença.
Da Cunha publicou em redes sociais imagens ao lado do Secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, que repostou a publicação. Da Cunha também posou com delegadas que atuam na Delegacia de Defesa da Mulher.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que a cerimônia de reinauguração era pública e que seguiu "regras de cerimonial e precedência aplicáveis a atos oficiais". A secretaria afirmou também que o secretário cumprimentou as autoridades presentes, incluindo "o deputado mencionado, afastado de suas funções para exercício do mandato parlamentar".
A defesa de Da Cunha afirma que o processo criminal corre em segredo de Justiça e ainda não foi julgado. A defesa diz também que a presença do deputado no evento reforça sua "certeza de inocência".
Em 2024, foi arquivado um processo em que Da Cunha era réu por abuso de autoridade e constrangimento ilegal, após encenar o estouro de um cativeiro para publicação em redes sociais no ano de 2020. Ele obrigou uma vítima de sequestro e o criminoso a voltar ao local para gravarem um vídeo e depois divulgou as imagens em redes sociais, encenando prender um suposto chefe da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
À época, Da Cunha admitiu a encenação e pagou fiança de pouco mais de R$ 14 mil para encerrar o caso.
Em 2022, a Secretaria de Segurança Pública informou que o Conselho da Polícia Civil recomendou que ele fosse demitido por crimes de abuso de autoridade e constrangimento ilegal. Delegados só podem ser demitidos pelo governador. Em 2024, a gestão de Tarcísio de Freitas informou que o pedido de demissão estava sob análise.


