Eduardo Paes descumpre promessa e anuncia pré-candidatura ao Governo do RJ
Decisão contraria as promessas reiteradas de que concluiria seu quarto mandato à frente do município

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
ITALO NOGUEIRA E YURI EIRAS
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), afirmou nesta segunda-feira (19) que vai renunciar ao cargo para disputar o governo estadual.
É a primeira vez que Paes confirma publicamente a candidatura, que vinha costurando desde o ano passado. A decisão contraria as promessas reiteradas de que concluiria seu quarto mandato à frente do município.
Paes confirmou que é pré-candidato após reunião com o secretariado nesta segunda, na sede da prefeitura. Ele afirmou que deve anunciar oficialmente a saída até o Carnaval.
No sábado (17), o prefeito já havia indicado que era pré-candidato durante agenda no município de Santo Antonio de Pádua, no noroeste fluminense. Na fala, em tom jocoso, Paes pediu apoio ao prefeito da cidade, Paulinho da Refrigeração (MDB).
Na semana passada, Paes comunicou a aliados que sairá no dia 20 de março. Ele também esteve com o presidente Lula para reafirmar o apoio à sua candidatura à reeleição, apesar de rusgas recentes na relação com o PT.
O movimento foi uma consolidação do que já ocorria nos bastidores, em que Paes já falava abertamente sobre sua saída.
A promessa de que concluiria o mandato foi feita durante as eleições e reafirmada em diferentes momentos ao longo de 2025.
Na campanha, ele classificou como uma "obrigação" permanecer no cargo pelos quatro anos. Prometeu pela Portela, Vasco e o rei Momo. O compromisso foi renovado no primeiro ano de mandato, quando chegou até a ser chamado, de forma jocosa, de "mentiroso" pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
Em agosto, cometeu um ato falho ao dizer que o vice Eduardo Cavaliere tiraria sua "marca de prefeito mais jovem da história do Rio de Janeiro". O sucessor tem 31 anos e Paes assumiu seu primeiro mandato aos 38.
Em seguida, Paes buscou tirar da fala a conotação de despedida. Argumentou que fazia referência ao fato de que o vice assumiria o cargo dias depois em razão de uma viagem internacional já programada. Contudo, Cavaliere já havia sido prefeito interino em outras oportunidades semelhantes, inexistindo qualquer ineditismo como descrito no ato falho.
Aliados do prefeito dizem avaliar que não haverá desgaste ao prefeito. Eles afirmam que pesquisas internas apontam o desejo do eleitorado do prefeito para que ele concorra ao governo, que vive uma crise financeira e na segurança pública.
Paes intensificou a agenda de Cavaliere a partir do segundo semestre de 2025, num plano, segundo aliados, de acostumá-lo aos ritos do cargo. Parte dos secretários passou a se reportar a ambos.


