Fundo eleitoral: a última rodada
Confira o editorial desta segunda (20)

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
No apagar das luzes, na última sexta-feira (17), o Congresso Nacional derrubou – entre vários vetos do presidente Jair Bolsonaro – um trecho da Lei de Diretrizes Orçamentárias, mantendo a previsão de R$ 5,7 bilhões em recursos públicos para o fundo eleitoral em 2022.
O Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como fundão, foi criado em 2017 e serve para bancar, com recursos públicos, campanhas eleitorais.
Com a decisão dos parlamentares na semana passada, o valar do dinheiro público para bancar campanhas políticas nas próximas eleições serão os mesmos R$ 5,7 bilhões que tiveram em 2018.
Certamente, o valor igual ao repasse anterior foi o ponto crucial para aprova-lo, uma vez que, antes do veto presencial, deputados e senadores queriam no orçamento de 2022 uma quantia três vezes maior do que esta que tende a ser liberada.
É fato que a maioria absoluta dos parlamentares não quis abrir mão do fundão e a derrubada neste fim de ano, dias antes do recesso, escancara a natureza de muitos deles: não querem largar o osso e, para isso, são capazes de tudo. Alguns ladram como sempre fazem, outros mostram os dentes e tem o grupo daqueles que tiram a máscara, mesmo.
Apesar da derrubada do veto, o valor do fundo eleitoral não é definitivo. A quantia será decidida na votação do orçamento de 2022, prevista para acontecer nesta segunda-feira (20) – será analisada na Comissão Mista do Orçamento (CMO). Puro protocolo burocrático ou mais uma reviravolta? Parlamentares costumam ser tão protocolistas...