Honda investe mais R$ 1,6 bilhão para elevar capacidade de produção de motos
Honda foca em aumento da demanda no segmento de entrada

A Honda confirmou um novo ciclo de investimentos no Brasil com foco na ampliação da produção de motocicletas. A fabricante vai destinar R$ 1,6 bilhão à sua unidade em Manaus (AM) até 2029, em resposta ao crescimento da demanda no mercado nacional.
O movimento ocorre em um cenário de forte expansão do setor. Em 2025, o Brasil registrou 2,1 milhões de motocicletas licenciadas, consolidando um dos maiores volumes dos últimos anos. Além das líderes tradicionais, como Honda e Yamaha, o mercado também vem recebendo novas marcas com propostas competitivas, como Bajaj, Royal Enfield, Shineray e CF Moto.
Foco em capacidade produtiva e novos modelos
Segundo a Honda, o investimento será direcionado a três pilares principais: ampliação da capacidade produtiva da fábrica de Manaus, lançamento de novos modelos e modernização da estrutura industrial.
A estratégia busca dar mais flexibilidade à operação para atender diferentes demandas do mercado, sem foco exclusivo em um único tipo de produto. Atualmente, a unidade produz cerca de 20 modelos de motocicletas, incluindo desde motos de baixa cilindrada até modelos mais sofisticados.
A expectativa é que a maior parte do crescimento esteja concentrada nas motos de entrada, segmento considerado estratégico pela marca, especialmente para consumidores que buscam a primeira motocicleta.
Produção inclui tecnologia global e alta cilindrada
A planta de Manaus também desempenha um papel relevante na produção global da Honda. Além de fabricar modelos de maior cilindrada, a unidade é responsável pela produção do câmbio de dupla embreagem DCT (Dual Clutch Transmission), tecnologia aplicada em motocicletas como Africa Twin e NC 750X.
Trata-se da única fábrica fora do Japão que produz esse tipo de sistema, reforçando o nível tecnológico da operação brasileira.
Alta nacionalização e cadeia produtiva robusta
Outro destaque da unidade é o elevado nível de nacionalização. A fábrica de Manaus é considerada a mais verticalizada da Honda no mundo, produzindo internamente componentes como motores, chassis, rodas e assentos.
Em modelos de alto volume, como a CG, o índice de nacionalização chega a aproximadamente 90%, o que reduz a dependência de importações e fortalece a cadeia produtiva local.
Atualmente, a operação conta com cerca de 120 fornecedores diretos de peças e matérias-primas, além de centenas de prestadores de serviço. Desse total, 32 fornecedores estão instalados em Manaus, incluindo 15 empresas de origem japonesa que contribuem com tecnologia e processos industriais avançados.
Geração de empregos e expansão da operação
Para sustentar o aumento da produção, a Honda prevê a criação de mais de 350 novos postos de trabalho na unidade de Manaus. Hoje, a fábrica já conta com mais de 9 mil colaboradores diretamente ligados à produção.
A ampliação da equipe será focada principalmente nas áreas produtivas, mas também pode envolver funções administrativas e de suporte.
Liderança no mercado e crescimento de segmentos
A Honda mantém posição dominante no mercado brasileiro de motocicletas, com cerca de 70% de participação. Em segmentos específicos, como o de scooters, a marca também lidera com folga, alcançando 73,3% de market share em 2025.
O modelo PCX, por exemplo, foi o mais vendido da categoria, com mais de 53 mil unidades comercializadas no período.
Ao ampliar sua capacidade produtiva e modernizar a fábrica, a marca busca manter a liderança diante da chegada de novas concorrentes e da expansão de segmentos como scooters e motos de média cilindrada.


