IA avança nas empresas, mas falhas operacionais travam ganhos reais!

Maioria das empresas ainda não consegue escalar iniciativas de IA, segundo estudo global

Por Michel Telles
Às

 IA avança nas empresas, mas falhas operacionais travam ganhos reais!

Foto: Divulgação

O uso de inteligência artificial nas empresas vem crescendo de forma acelerada, impulsionado por novas ferramentas e pela busca por eficiência. Ainda assim, boa parte dessas iniciativas não consegue se traduzir em ganhos concretos de produtividade, redução de custos ou aumento de receita.

Na prática, o principal obstáculo não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é aplicada dentro das organizações. De acordo com levantamento global da McKinsey, no estudo The State of AI in 2025: Agents, innovation, and transformation, 88% das organizações já utilizam IA em pelo menos uma área de negócios, ante 78% no ano anterior.

Apesar do crescimento, quase dois terços ainda permanecem em fase de experimentação ou projetos-piloto, sem conseguir expandir essas soluções para toda a operação. O estudo também indica que 62% das companhias já testam agentes de IA, sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma em fluxos de trabalho, mas apenas 23% conseguiram implementar essas soluções de forma mais ampla, evidenciando desafios técnicos e operacionais para sustentar esse tipo de tecnologia.

A seguir, especialistas apontam os principais fatores que explicam por que a inteligência artificial ainda não gera resultados consistentes em muitas empresas:
 

1. Processos pouco estruturados

A IA depende de fluxos organizados para funcionar. Quando a operação é despadronizada ou manual, a tecnologia tende a apenas escalar ineficiências.

2. Uso de tecnologia sem clareza de objetivo

Em muitos casos, a decisão de investir em IA vem antes da definição do problema, o que leva a aplicações desconectadas da operação.

3. Falta de governança e métricas

Projetos são implementados sem responsáveis claros ou indicadores de desempenho, dificultando a mensuração de impacto. “A camada mais visível da IA ficou mais acessível e fácil de implementar. O problema é que isso não sustenta a operação. O que faz diferença é o que está por trás: processo, governança e capacidade de manter tudo funcionando no dia a dia”, afirma Stefanno Polidoro, CEO da GrowthTec.

4. Aplicações isoladas dentro da empresa

Quando a IA é usada de forma pontual, sem integração com sistemas e processos, seu impacto tende a ser limitado. “Uma coisa é implementar uma solução, outra é conseguir operar, escalar e manter isso com consistência. O mercado começa a separar quem só implementa de quem realmente sustenta a operação”, diz.
 

5. Expectativa de resultado sem mudança operacional

A ideia de que a tecnologia resolve problemas por si só ainda é comum. Sem ajustes na forma de trabalhar, os ganhos tendem a ser superficiais. O executivo destaca ainda que o nível de personalização influencia diretamente os resultados. “Não existe solução única. Quanto mais complexa a operação, maior precisa ser o nível de adaptação e integração. Modelos prontos dificilmente dão conta dessa realidade”, explica.

Na avaliação do executivo, entre 40% e 60% dos processos operacionais de empresas de médio porte já podem ser automatizados com o uso de inteligência artificial, desde que haja estrutura adequada para sua aplicação.

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