Inflação e alta do cacau pressionam microempreendedores na Páscoa

Com custos mais elevados e margens apertadas, comerciantes apostam em diferenciação para manter vendas no período

Por Da Redação
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Atualizado
Inflação e alta do cacau pressionam microempreendedores na Páscoa

Foto: Divulgação

Às vésperas da Páscoa, o cenário econômico tem imposto desafios adicionais aos microempreendedores. Com inflação projetada em 4,17% pelo Banco Central do Brasil e aumento significativo no custo de insumos, o período, tradicionalmente marcado pelo aquecimento das vendas, agora exige mais cautela e estratégia por parte dos comerciantes. Um dos principais fatores de pressão é o preço do cacau, matéria-prima essencial para produtos típicos da data, como ovos de Páscoa e chocolates. Segundo o IBGE, o insumo acumulou alta de 24% nos últimos 12 meses, impactando diretamente os custos de produção e reduzindo as margens de lucro, especialmente para pequenos negócios.

Apesar disso, o consumo não deve recuar. Dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil indicam aumento tanto no número de consumidores quanto no ticket médio, que deve chegar a cerca de R$ 253 neste ano, uma alta de 2,43% em relação a 2025.

Para a CEO da Afrocentrados Conceito, Cynthia Paixão, mesmo diante de custos mais elevados, a data continua sendo uma oportunidade relevante para impulsionar vendas. Segundo ela, o diferencial está na forma como os empreendedores se posicionam no mercado: “Mesmo com o cenário de pressão nos custos e margens mais apertadas, a Páscoa continua sendo uma oportunidade estratégica. A chave da boa venda é a diferenciação. O público ainda quer comprar, mas busca produtos com valor agregado e identidade”, afirma.

A empresária destaca que estratégias como personalização de produtos, antecipação das vendas e comunicação direcionada podem fazer a diferença no faturamento. Em vez de competir apenas por preço, a aposta deve ser na experiência oferecida ao consumidor.

Outro ponto de atenção é o comportamento do público, que, segundo especialistas, está mais criterioso. A qualidade passou a ser o principal fator de decisão de compra, superando o preço, o que reforça a necessidade de produtos com propósito, identidade e valor percebido.

À frente de um hub que conecta marcas afro-brasileiras, Cynthia também aposta na integração entre canais físicos e digitais como estratégia para ampliar o alcance das vendas, especialmente em um cenário de maior competitividade. Para ela, o momento exige equilíbrio entre gestão financeira e criatividade. “Os empreendedores que conseguirem alinhar propósito, qualidade e uma boa experiência de compra terão mais chances de se destacar, mesmo com custos elevados”, conclui.

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