Israel declara que Cidade de Gaza é 'zona de combate perigosa' e suspende corredor humanitário
Lar de um milhão de palestinos é o próximo grande alvo do Exército israelense

Foto: Reprodução/Redes Sociais
O Exército de Israel anunciou nesta sexta-feira (29) o fim do corredor humanitário na Cidade de Gaza, a mais populosa da Faixa de Gaza, ao declarar que o local agora é “uma zona de combate perigosa”. Cerca de um milhão de palestinos vivem na cidade.
O anúncio é mais um passo rumo à tomada da cidade, anunciada por Israel no dia 8 deste mês. O país afirma que já controla os arredores da Cidade de Gaza e realiza operações com soldados e tanques de guerra na região.
“A partir de hoje (sexta-feira), às 10h00 (4h no horário de Brasília), a pausa tática local nas atividades militares não se aplicará à área da Cidade de Gaza, que passa a constituir uma zona de combate perigosa”, disse o Exército em comunicado.
O corredor humanitário havia sido estabelecido no final de julho para permitir o trânsito de comboios da Organização das Nações Unidas (ONU) e de Organizações Não Governamentais (ONGs) que atuam na região.
Israel também anunciou nesta sexta-feira que recuperou o corpo do refém Ilan Weiss e "evidências relacionadas a outro refém morto", que não foi identificado, durante uma operação na quinta.
Nos últimos dias, o Exército de Israel tem pedido que os moradores evacuem a cidade. Milhares de palestinos já fugiram, mas líderes religiosos disseram nesta semana que permaneceriam no local, porque deixar a cidade e tentar fugir para o sul seria “nada menos que uma sentença de morte”.
A ONU afirma que o deslocamento forçado em massa de palestinos pode configurar um crime de guerra. A evacuação ocorre em meio a uma grave crise humanitária em Gaza, com estado de fome generalizada.
Israel busca tomar a Cidade de Gaza no que define como grande passo contra o Hamas. Posteriormente, o objetivo é controlar todo o território palestino, segundo o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Diversos países da comunidade internacional e o papa Leão XIV fizeram apelos nos últimos dias para Israel parar com a guerra e aceitar uma proposta de cessar-fogo com libertação de alguns reféns em poder do Hamas, aceita pelo grupo terrorista em meados de agosto.
Netanyahu, no entanto, afirmou que tomará a Faixa de Gaza de qualquer maneira e seu objetivo agora é obter a libertação de todos os reféns de uma vez. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, prometeu na semana passada destruir a Cidade de Gaza caso o Hamas não aceite o fim da guerra sob as condições do país.
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